Cultura

Com 300 anos de história, EAD oferece oportunidade de aprendizado com comodidade e baixo custo

Com o distanciamento social imposto pela pandemia, o Ensino a Distância (EAD) vem recebendo um destaque especial, maior do que teve em outras épocas. Mesmo sendo uma modalidade muito antiga, que já conta com 300 anos de história, ela ainda é novidade para boa parte das pessoas que ainda não exploraram todo o potencial existente nas plataformas digitais. Proporcionando oportunidades muito interessantes de aprendizado por custos bastante acessíveis, inferiores aos cobrados por cursos presenciais, o EAD permite que as pessoas estudem em casa mesmo, nos horários que desejarem.

De fato, para os níveis fundamental e médio do ensino formal, cujos alunos pedem uma atenção que só o contato direto com o professor pode oferecer, e para cursos que exigem a aplicação de técnicas manuais mais apuradas, o EAD não é o mais indicado. Por outro lado, para uma infinidade de outras áreas, é uma solução muito proveitosa e oportuna, como vem sendo provado durante a pandemia pelo enorme contingente de alunos que, para aprimorarem conhecimentos já existentes ou para adquirirem novos saberes, têm recorrido aos cursos que são ministrado a distância.

E esta é uma prática bastante antiga, cuja longevidade confirma o quanto ela é valiosa.

Desde o curso por correspondência

Não resta dúvidas de que a Era da Informação criou uma nova perspectiva para a EAD. Com as facilidades proporcionadas pelos recursos digitais, o acesso ao conhecimento sem que haja a necessidade do contato presencial com os professores foi bastante favorecido, aprimorando a transmissão do ensino. Porém, esta forma de ensinar e de aprender vem de um passado bem distante, quando os cursos por correspondência foram criados, e, com o desenvolvimento tecnológico, foi se tornando cada vez mais fácil e eficiente estudar sem a presença física do professor.

O primeiro registro de um curso de EAD vem de 1728, quando o professor de taquigrafia Cauleb Phillips resolveu ensinar as técnicas de escrita codificada por correspondência. Morando em Boston, ele mandou publicar no jornal o seguinte anúncio: Qualquer pessoa que queira estudar taquigrafia pode ter várias lições enviadas à sua casa semanalmente e estará sendo tão bem instruída quanto uma pessoa que mora em Boston.

Ao longo do século 19, na Europa e nos Estados Unidos, surgiram cursos em várias áreas e já no início do século 20 o formato se havia se popularizado. Aprendia-se praticamente de tudo por correspondência. Havia cursos de contabilidade, para detetives, eletrotécnica, línguas, tornearia mecânica, entre outros de uma série imensa de possibilidades.

Sofisticação tecnológica

Na medida em que a tecnologia se sofisticava, os recursos adotados para o ensino por correspondência foram se aprimorando cada vez mais. Primeiro vieram as fitas de áudio, que passaram a ser utilizadas nos cursos dos anos 1960. No década seguinte, surgiram cursos ministrados pela televisão e nos 1980, com a popularização do vídeo cassete, também apareceu a oportunidade para ensinar a distância utilizando o áudio visual como um recurso de grande valor.

Porém, foi final dos anos 1990, quando a tecnologia digital já passava a ser tornar acessível para maior número de pessoas, que inúmeras áreas tecnológicas, que antes não podiam ser ensinadas a distância — como a produção de sites, por exemplo —, também passaram a ser atendidas por meio de cursos gravados em CD, que eram enviados por correspondência ou comprados nas bancas de revista. Esta foi uma prática muito difundida até o início dos anos 2010.

A partir dali, com a o avanço na qualidade das conexões de internet e com o surgimento de novos recursos de transmissão de áudio e de vídeo pela web, surgiu o EAD de forma mais organizada e ampliada. Inúmeras escolas especializadas nessa modalidade de ensino foram criadas e passaram a abranger praticamente todas as áreas do conhecimento.

Do ensino profissionalizando básico à pós-graduação

Atualmente o EAD oferece a possibilidade de aprendizado em vários níveis, com cursos que proporcionam instrução nos mais diversos setores. Por exemplo, hoje é possível que pessoas sem nenhum preparo prévio na área consigam conhecer conceitos básicos de construção civil, ao mesmo em que profissionais já qualificados podem aprender a utilizar todos os recursos de aplicativos sofisticados, como o Excele ou os de geoprocessamento, sem sair de casa.

Da mesma forma, o aluno pode fazer cursos de graduação e até de pós-graduação, obtendo uma formação superior de maneira prática e com investimento mais baixo do que seria em uma escola presencial.

Como funciona?

O acesso aos cursos de EAD é bastante simples e rápido. Após fazer o cadastro na área de interesse, o aluno recebe as instruções para o acompanhamento das aulas. Cada curso apresenta uma forma própria de instrução. Os que oferecem informações mais básicas, em geral, são apoiados por textos e vídeos que são publicados online. Os mais complexos, como os de educação superior, também contam com estas facilidades, mas, em determinados momentos podem exigir aulas presenciais. Além disso, naturalmente, para os cursos de graduação o aluno deve ter as qualificações prévias exigidas no plano de ensino nacional do MEC.

Ao longo dos cursos, dependendo do nível de instrução que é oferecido — se é mais elementar ou se é mais aprofundado —, em determinados casos o aluno também pode contar com o apoio dos professores em aulas online, em tutoriais ou em seções para esclarecimento de dúvidas via chat.

Ao final, os cursos profissionalizantes oferecem certificação e os de nível técnico e superior reconhecidos pelo MEC dão acesso a diploma. Ou seja, com as facilidades e o baixo custo do EAD, só não estuda quem não quer.