Como agir ao encontrar um animal silvestre
“Gente, tem um gavião enorme na minha garagem. Ele não consegue voar. Parece que está com a asa machucada. Para quem eu ligo para pegá-lo?”. Foi a partir desse pedido de informação da moradora Stael de Lima, do Anchieta, feito no Grupo Utilidade Pública Amoran, no WhatsApp, que, em outubro, a médica-veterinária Jordana Novais pôde dar início ao resgate do pássaro — que, na verdade, ela identificou como sendo um carcará. Após receber os primeiros socorros, o animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres de Belo Horizonte (Cetas/BH) — órgão vinculado ao Ibama, onde Jordana atua por meio do projeto Bicho Solto, da ONG Waita (veja o quadro ao lado).

Lá, o carcará está recebendo tratamento adequado e é possível que seja solto em seu habitat natural, alcançando um final feliz que nem sempre acontece.
Mais próximos
O fato é que a relação entre humanos e animais silvestres na nossa região está cada vez mais frequente e, às vezes, conflituosa, o que pode acarretar riscos para ambos, se não forem adotados alguns cuidados básicos. Segundo Jordana, a maior oferta de alimentos na cidade — como os disponíveis em lixeiras — e a proximidade com áreas verdes — como os parques Monsenhor Expedito e Mangabeiras — favorecem essa condição, que deve ser vista de forma criteriosa.
De acordo com a veterinária, ainda que grande parte dos animais silvestres não seja de fato agressiva, eles podem ser transmissores de zoonoses — doenças passadas de animais para humanos —, o que torna recomendável que não sejam tocados ou alimentados. Por outro lado, Jordana destaca que esses animais também são ameaçados por reações humanas, motivadas por medo ou desinformação, que se somam aos ataques de animais domésticos e a acidentes frequentes, como atropelamentos e choques com fachadas de prédios.
Respeito
Jordana ressalta que a conduta correta ao se deparar com um animal silvestre dependerá muito da espécie e da condição em que ele se encontra. “Quando se trata de aves menores, que podem ser recolhidas com segurança, o ideal é colocá-las cuidadosamente em uma caixa de papelão ventilada para encaminhá-las ao Cetas/BH. Já os animais que podem oferecer risco de mordeduras, como alguns mamíferos silvestres, a recomendação é não manusear, não tentar contê-los e manter distância, preservando um ambiente seguro, até que o atendimento chegue”, indica.
Jordana considera que, embora muitos animais silvestres sejam inofensivos se não forem perturbados, o mais prudente é não manuseá-los e manter uma convivência respeitosa. “Assim, protegemos tanto a saúde humana quanto a desses animais, que são parte importante do nosso ecossistema”, afirma.
Portanto, em situações como a vivida por Stael — que, como a maioria das pessoas, não dispunha das informações adequadas naquele momento —, a orientação é acionar os órgãos habilitados para o resgate. Em Belo Horizonte, o atendimento pode ser feito pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), pelo telefone 193; pela Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH), pelo 153; ou pela Polícia Militar de Meio Ambiente (PMMAm), pelo telefone (31) 2123-1616.





