Segurança

Cidades inteligentes utilizam câmeras com IA

O conceito das cidades inteligentes, cada vez mais relevante para o debate sobre o desenvolvimento urbano, parte do uso integrado da tecnologia para melhorar serviços públicos, mobilidade, sustentabilidade e segurança. É nesse contexto que os sistemas de monitoramento com inteligência artificial (IA) deixaram de ser ferramentas isoladas e passaram a atuar como parte de um ecossistema digital que conecta poder público, empresas e comunidades na gestão do espaço público.

Câmeras equipadas com recursos como leitura automática de placas de veículos (LPR), reconhecimento facial, análise de comportamento e geração de alertas em tempo real atuam como sensores urbanos, capazes de produzir dados estratégicos para a tomada de decisão. Integradas a centros de operações, essas tecnologias também contribuem para reduzir o tempo de resposta a ocorrências, apoiar investigações e prevenir crimes, ao mesmo tempo em que ampliam a capacidade de planejamento das cidades.

No mundo

Experiências internacionais mostram que a integração entre sistemas públicos e privados é um dos pilares desse modelo. Informações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, por exemplo, indicam que cidades como Chicago, Nova York e Atlanta adotam, há anos, redes colaborativas conhecidas como community camera networks, que permitem o compartilhamento voluntário de imagens de câmeras privadas com as forças de segurança. Em relatório sobre inovação no policiamento, o órgão afirma que esse tipo de cooperação amplia a capacidade investigativa e fortalece a prevenção em nível comunitário.

No Reino Unido, estudos do Home Office — ministério responsável pela segurança interna — apontam que áreas urbanas com integração de câmeras públicas e privadas apresentam redução de crimes contra o patrimônio e aumento da sensação de segurança. Segundo o College of Policing, órgão responsável pelas diretrizes do policiamento britânico, sistemas inteligentes de vídeo são mais eficazes quando combinados com policiamento de proximidade e engajamento comunitário.

Estudos do Instituto Nacional de Justiça dos Estados Unidos e do College of Policing confirmam que redes integradas de videomonitoramento com IA aumentam a eficiência investigativa e reduzem o tempo de resposta das forças de segurança, especialmente quando inseridas em estratégias urbanas mais amplas.

Na Espanha, iniciativas de cidades como Madri e Barcelona também inserem o videomonitoramento com IA no conceito de cidades inteligentes. A Agencia Española de Protección de Datos destaca que o uso dessas tecnologias deve priorizar prevenção, resposta rápida e gestão urbana, sempre com regras claras de proteção à privacidade e transparência no tratamento dos dados.

Pesquisas acadêmicas publicadas em revistas científicas internacionais, como a Sensors (MDPI), apontam que o maior ganho dessas tecnologias está na integração de dados e na cooperação entre atores públicos e privados.

No Brasil

No Brasil, esse modelo começa a ganhar escala. Na cidade de São Paulo, o programa Smart Sampa integra câmeras públicas e privadas em uma plataforma única de monitoramento urbano. No Rio de Janeiro, o Centro de Inteligência, Vigilância e Segurança Pública (Civitas) reúne imagens de milhares de equipamentos e opera de forma integrada com outros órgãos. A Prefeitura do Rio destaca que a cooperação com o setor privado é fundamental para ampliar a capacidade de resposta e apoiar investigações.

Belo Horizonte também avança nessa direção, permitindo o compartilhamento de imagens de câmeras privadas com o Centro Integrado de Operações (COP-BH) e com o Sistema Hércules, da Polícia Militar de Minas Gerais.

Especialistas em segurança urbana reforçam que a tecnologia não substitui o fator humano, mas o potencializa. Inseridas no conceito de cidades inteligentes, as câmeras com IA tornam-se ferramentas de apoio à gestão urbana, fortalecendo comunidades e contribuindo para cidades mais seguras, eficientes e conectadas.