Lições da Covid-19 melhoram as respostas a doenças
A próxima pandemia não é uma questão de “se”, mas de “quando”. Essa expressão reflete um pensamento de especialistas da área da saúde que vem sendo discutido desde os anos 2000 e que busca enfatizar que, diante de fatores climáticos, do desmatamento, da globalização e da urbanização intensiva, novos eventos pandêmicos podem surgir a qualquer momento. Com isso, após o trauma mundial provocado pela Covid-19 e diante das notícias recentes relacionadas à hantavirose, ao ebola e a outras doenças, é natural que surjam especulações sobre a possibilidade de estarmos diante de uma nova ameaça sanitária global.
Porém, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o momento é de alerta, mas não deve ser motivo de apreensão excessiva.
Limite
Ainda que tenham extrapolado o ambiente da embarcação, os casos de hantavirose ocorridos no navio holandês MV Hondius ainda são considerados como um surto pela OMS, que relata ser baixo o risco de o vírus levar a um quadro de epidemia. Entretanto, essa é a condição atual do ebola disseminado a partir de Uganda, que já é considerado uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela organização, mas é visto como uma ameaça maior restrita ao continente africano.
No momento, segundo a OMS, nem a hantavirose nem o ebola oferecem risco iminente de se tornarem uma pandemia. Porém, a organização se mantém atenta para a possibilidade de surgirem outras doenças com maior potencial pandêmico, como uma gripe zoonótica altamente transmissível, novos coronavírus ou mesmo a Doença X — termo utilizado para representar um patógeno hipotético desconhecido, que poderia causar uma epidemia grave ou uma pandemia futura.
Preparo
Se, por um lado, os riscos de novas pandemias existem, por outro, hoje especialistas acreditam que o mundo esteja melhor preparado para enfrentá-las do que estava em 2020. Segundo a OMS, emendas ao Regulamento Sanitário Internacional (RSI), em vigor desde 2025, aportes bilionários ao Fundo de Pandemias e a evolução da Rede Internacional de Vigilância de Patógenos e de hubs de inteligência epidemiológica reforçam o arsenal de combate aos surtos locais e globais. Ao mesmo tempo, no Brasil, organizações como o Instituto Butantan e o SUS deram demonstrações da capacidade de resposta robusta diante de uma emergência sanitária, mas também cabe à sociedade fazer a sua parte.
Manter hábitos de higiene, vacinar-se, apoiar sistemas de saúde e evitar a desinformação são atitudes eficazes. Riscos existem, mas conhecimento e ação coletiva transformam vulnerabilidade em resiliência. Fique atento, prepare-se e viva sem medo desnecessário.





