Os riscos de dar banho no pet em casa

Por vários motivos, durante a pandemia, existem aqueles tutores que optaram por dar banho em seus pets em casa mesmo. Muitos podem se sentir confortáveis e até felizes por poderem dispensar esses cuidados aos bichos. Porém, como há aqueles que não estão preparados para essa solução doméstica, surgem as possibilidades de ela criar riscos para os animais, que vão desde pequenos desconfortos até acidentes mais sérios e doenças graves.

Mas, o que pode ser feito para minimizar os perigos existentes em um simples banho? O que devem fazer as pessoas que não se sentem seguras com essa tarefa?

Confira o que dizem os especialistas.

Indispensável, mas arriscado

Além de deixar o pet mais cheiroso e bonito, a médica veterinária Paula Amorim, diretora do Centro de Saúde Animal, no bairro Carmo, em Belo Horizonte, destaca que a rotina de banhos mantém a pele e o pelo do animal hidratados, afastando riscos de doenças dermatológicas, que, em casos mais graves, podem levar a complicações e exigir tratamentos longos, desconfortáveis e caros. “A combinação de pele e pelos ressecados resulta em alergias, por conta de fungos e bactérias. Isso pode acarretar em desconforto para os pets, provocando coceiras mais intensas. Dependendo do nível de intensidade, eles podem se coçar até que formarem feridas, que podem infeccionar”, ela diz. Por isso, os banhos não devem manter a regularidade habitual de antes da pandemia.

Além de deixar os pets bonitos e cheirosos, o banho afasta doenças (Foto: Freepik)

Entretanto, a veterinária observa que o banho dado em casa pode expor os animais a muitas situações de risco, o que aumenta bastante quando o tutor não está preparado para dispensar este cuidado ao pet. De acordo com Paula, a inflamação de ouvido, fraturas e problemas dermatológicos estão entre as ocorrências mais comuns causadas por banhos em casa. “Por vezes, atendemos na clínica animais com otites graves e recorrentes, que só são resolvidas quando tiramos o conduto auditivo do animal. Outra ocorrência comum são as fraturas, que podem acontecer, por exemplo, quando o tutor não presta atenção e o animal pula de onde está. Com xampu pelo corpo, ele escorrega e quebra a pata”, conta.

A temperatura do banho também é um problema frequente na solução doméstica, uma vez que, querendo poupar o pet do frio, há quem opte por banhá-lo com água quente, o que não é adequado. “Evidentemente, a água fria é prejudicial. Porém, a água muito quente resseca a pele do pet, causando alergia”, diz a veterinária.

Outros problemas apontados por Paula podem surgir no momento de secar a pelagem. A veterinária alerta para o uso de secador doméstico, que pode causar queimaduras na pele do animal, e para a secagem insuficiente, que cria o ambiente apropriado para que microrganismos causadores de dermatites se desenvolvam.

Precauções domésticas

Em sua coluna no blog Vida Animal, o médico veterinário Mário Marcondes, diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo, indica alguns cuidados que devem ser seguidos na hora do banho doméstico. A começar pela temperatura da água, que deve ser morna, e para o uso do chuveirinho, no lugar do chuveiro. “Com o chuveiro convencional a limpeza pode ficar desigual”, ele diz.

De acordo com o veterinário, outro ponto importante está na escolha do xampu, que deve ter pH neutro e ser apropriado para o pet. “Hoje temos soluções próprias muito boas, com custos acessíveis e com a vantagem de serem testadas previamente para aquela espécie. Jamais utilize xampus ou sabonetes humanos para os bichos sem orientação veterinária, pois eles podem gerar irritações e outras reações adversas”, alerta o veterinário.

O chuveirinho ajuda a banhar o animal por inteiro (Foto: Freepik)

Mário ainda chama a atenção para as precauções que devem ser adotadas na proteção dos ouvidos. “Recomendo empregar uma bola de algodão para proteger os ouvidos do pet. Abaixe as orelhas do animal e, ao banhar, evite direcionar os jatos de água do chuveirinho na região próxima ao conduto auditivo. Melhor fazer uma concha com a mão e derramar a água na cabeça”, explica.

Os olhos também devem ser protegidos. “Você pode ensaboar a região da cabeça, mas tomando cuidado para não deixar que o xampu entre em contato com os olhos do pet, o que pode irritá-los”, aconselha.

O veterinário indica ainda que a secagem seja iniciada com uma toalha e finalizada com um secador, que deve estar ajustado na temperatura morna.

Na dúvida, leve para o pet shop

Entretanto, não são poucas as pessoas que ficam inseguras na hora de dar banho no pet e também há aquelas que, mesmo seguras, não têm habilidade para a tarefa. Então, qual a saída para casos assim?

Segundo Paula Amorim, a melhor opção continua sendo recorrer a um pet de confiança. De acordo com a veterinária, os bons estabelecimentos mantêm pessoal treinado para a atividade, o que a torna especialmente vantajosa para os animais. “O banho em pet shop com profissionais especializados não só evita doenças como também traz bem-estar ao animal, com a socialização com outros animais e com pessoas”, ela diz.

Além disso, a veterinária ressalta que os bons estabelecimentos fazem uso de equipamentos adequados, que garantem o conforto dos pets, afastando os riscos. “Ali, por exemplo, todo ambiente em que o banho é realizado é controlado. Desta forma o pet fica protegido de mudanças de temperatura bruscas e se mantém termorregulado”, ela explica.

As reações dos pets aos banhos podem provocar acidentes (Foto: Freepik)

Segundo Paula, no pet shop a secagem dos animais é feita com aparelhos bem mais eficientes do que os secadores domésticos. “Há os sopradores, que reduzem o tempo de secagem, porque retiram o excesso de água que fica armazenada no pelo. Há também os secadores adequados, que evitam queimaduras na pele e eliminam a umidade, que favoreceriam a proliferação de microrganismos e, consequentemente, o desenvolvimento de dermatites”, ela explica.

Como critérios para a avaliação da qualidade de um pet shop a veterinária dá algumas dicas. “Além de checar o registro do estabelecimento no Conselho Regional de Medicina Veterinária, antes de deixar o animal no pet shop, é importante notar se o piso e as paredes são de cor clara e se estão limpos.  Confira as condições higiênicas das instalações de modo geral, peça para entrar na área do banho e observe a atitude da pessoa encarregada de dar o banho.  O funcionário que dará o banho nos pets deve ser carinhoso e cuidadoso no trato com o animal, o que minimiza os riscos”, diz.

Por fim, Paula ressalta que outro ponto importante a ser observado está na possibilidade de agendamento dos banhos, o que em tempos de pandemia, é fundamental para que os clientes sejam atendidos individualmente.

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