Grupo Galpão conta “Histórias de Confinamento”, ao vivo, no YouTube

Em tempos de distanciamento social, o Grupo Galpão, umas das companhias de teatro mais importantes do país, se adaptou ao processo de produção virtual e não saiu de cena. Unindo os recursos audiovisuais disponíveis na internet ao poder de comunicação que marcou os seus quase 40 anos de trajetória, nesta sexta-feira, 20, às 20h, o grupo estreará a experiência teatral Histórias de Confinamento, que será exibida ao vivo pelo canal oficial do Galpão no YouTube.

18 relatos
Com a presença de Inês Peixoto no elenco, Histórias de Confinamento mostra relatos de brasileiros sobre os momentos vividos durante a pandemia (Foto: Divulgação/Grupo Galpão)

Sob a direção de Eduardo Moreira e Inês Peixoto, integrantes da companhia que também fazem parte do elenco, e direção e edição do videomaker Thiago Sacramento, o projeto busca retratar as vivências comuns das pessoas que aceitaram o convite do Galpão e resolveram contar suas próprias histórias, vividas durante a pandemia. Dentre os quase 500 textos recebidos de todas as partes do Brasil, foram selecionados 18, que se unem em uma trama elaborada pelas diversas cenas da vida privada formadas ao longo do período de isolamento social. “O ponto de partida é o olhar do homem comum, do nosso público que nos acompanha e que estabeleceu uma afetuosa e constante relação com a nossa trajetória artística”, comenta a Inês Peixoto.

Partindo de referências que podem ser reais ou imaginárias, cômicas, dramáticas ou trágicas, o Galpão oferece a contribuição do teatro para este momento único que a população está vivendo. “O teatro é o retrato de uma época. Como artistas e cidadãos, é nossa tarefa testemunhar e relatar este momento, com senso de observação e verdade, mas sem abandonar a imaginação, nossa matéria prima essencial”, diz Eduardo Moreira.

Refúgios no cotidiano
Como na cena vivida por Eduardo Moreira, esta experiência teatral explora os refúgios e saídas que as pessoas tentam encontrar nesse tempo de isolamento social (Foto: Divulgação/Grupo Galpão)

Histórias de Confinamento esmiúça a geografia do privado, com enquadramentos que, nos detalhes dos ambientes, explora as intimidades das casas dos atores, fazendo emergir histórias de seres confinados, que buscam refúgios e saídas nos pequenos gestos, nos espaços e nos objetos do cotidiano. Com as encenações e as edições ao vivo, o elenco buscará resgatar uma boa parte da essência do teatro. “É uma forma de preservarmos e de matarmos as saudades do espírito de presentificação, que é tão intrínseco ao fazer teatral”, considera Inês.

Esta não é a primeira vez que o Galpão conta com a participação do público na construção da dramaturgia de um espetáculo. Em 2003, sob a direção de Paulo Moraes, a peça Pequenos Milagres também foi produzida sobre textos enviados por pessoas quiseram falar sobre os acasos que celebram o mistério de viver. Agora, com Histórias de Confinamento, o confronto é com o espírito de resiliência e com a vontade de estar vivo em meio a uma distopia que, com frequência, nos remete a um sentimento de carência de sentidos e de esperanças.

Além da estreia desta sexta, Histórias de Confinamento também será apresentada no sábado, 21, e no domingo, 22. Ainda, haverá sessões sexta, sábado e domingo, de 27 a 29 de novembro. O horário será sempre às 20h. Após cada sessão, os vídeos permanecerão disponíveis por 15 minutos e serão retirados do ar em seguida.

O acesso às apresentações é gratuito e sem a necessidade de ingresso. Porém, contribuições financeiras para a temporada são aceitas pela página do Galpão no Sympla  (clique aqui, se quiser contribuir).

 

História de Confinamento

Exibição: Sábado a domingo, de 20 a 29 de novembro de 2020 no canal do Grupo Galpão no YouTube

Classificação indicativa: livre | Duração: 50 minutos

Realização: Grupo Galpão

Direção: Eduardo Moreira, Inês Peixoto e Thiago Sacramento

Elenco: Antonio Edson, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia, Simone Ordones e Teuda Bara 

Dramaturgia: Eduardo Moreira (a partir de relatos recebidos na campanha Histórias de Confinamento)