Seis dicas para você gerenciar conflitos no seu condomínio

O síndico é a pessoa chata de plantão no prédio ou a gente boa, que deixa as coisas correrem com rédeas soltas? Vive de cara fechada ou está sempre sorridente e gentil? Não perde a oportunidade de se envolver com tudo o que acontece no condomínio ou dá a volta para desviar dos problemas? Essas podem ser algumas das características mais extremas dessa figura essencial, que às vezes é amada, noutras odiada e que também pode passar despercebida.

De fato, quando estamos falando de relacionamentos interpessoais, o ideal é quem ocupa funções de gestão, quaisquer que sejam, se mantenha em níveis intermediários — acessíveis, com um comportamento cordial, mas sem perder a autoridade — e isso também vale para os síndicos. Porém, quando o assunto é gerenciar conflitos nem sempre a simples postura pessoal define a solução.

A boa notícia é que existem técnicas pra isso. Confira as seis que selecionamos para você!

1. Mantenha a comunicação permanente

Em qualquer organização — e o condomínio é uma forma de organização — a comunicação clara e objetiva é essencial para evitar mal-entendidos e, consequentemente, os conflitos que possam surgir deles. Portanto, estabelecer canais de comunicação permanentes com os condôminos, por meio dos quais as informações possam fluir sem barreiras, é uma forma muito eficiente para prevenir problemas.

É claro que esses canais devem ser reservados para veicular informações que sejam de fato importantes e de interesse geral do condomínio. Além disso, de preferência, eles devem alcançar a todos, indistintamente.

Contudo, como é possível que nem todos os condôminos tenham acesso aos mesmos canais — por exemplo, ainda que improvável, pode acontecer de alguém ser avesso ao WhatsApp —, é oportuno manter a sobreposição dos meios de contato.

Ou seja, as informações podem fluir por email, WhatsApp, cartas circulares e até pelo velho e tradicional quadro de avisos e por cartazes afixados em pontos estratégicos. Nesse ponto vale dizer que existem hoje aplicativos de gestão de condomínios que agrupam em uma só plataforma todas os meios digitais de comunicação. Assim, quando a mensagem é disparada, ela seguirá para todos os canais registrados pelos condôminos — como email e WhatsApp, por exemplo — praticamente eliminando aquela velha desculpa de quem diz não ter recebido o comunicado.

Eventualmente, o síndico pode até ser criticado pelo excesso de visibilidade das informações, mas jamais o mesmo pode acontecer em função de omissões. Então, nesse quesito vale aquela máxima que diz que é melhor sobrar do que faltar.

2. Crie canais de mão dupla

A comunicação entre os condôminos deve fluir nas duas direções. Sendo assim, é indispensável a criação de canais que permitam a apresentação de reclamações e de sugestões.

É importante que os comunicados dos condôminos sejam feitos por escrito. Confiar nas conversas de elevador e na memória não é uma boa ideia.

3. Em casos pontuais, faça comunicados pontuais

Existem situações específicas que não dizem respeito a todos os condôminos indistintamente, pedindo formas pontuais de comunicação. Se o ocupante de uma unidade identificada tem algum tipo de comportamento inconveniente — por exemplo, produz excesso de barulho ou promove festas recorrentes — não é necessário fazer comunicados amplos, o que, aliás, pode até ser prejudicial para a solução do problema.

Há casos em que, ao se sentir exposta, a pessoa causadora do incômodo, em fez de sanar o problema, pode intensifica-lo. Em situações assim, o melhor é fazer comunicados particulares, diretamente à pessoa, de forma gentil e civilizada, o que é fundamental.

Vale dizer que comunicados agressivos podem configurar algum tipo de desacato, dificultando ainda mais a solução ou até levando a ações judiciais. Então, muito cuidado nessa hora.

Inclusive, não deixe de registrar o recebimento dos comunicados por parte do condômino problemático, o que, eventualmente, poderá ser utilizado como base para medidas mais drásticas, caso a situação não seja resolvida.

4. Atue como mediador

Quando ocorrem conflitos diretos entre dois condôminos, o síndico deve procurar mediar a situação, tentando ao máximo recuperar a harmonia. Em casos assim, a menos que haja infrações às regras do condomínio, não cabe ao gestor atuar como um árbitro que decidirá quem está certo e quem está errado.

Nesses momentos, mesmo que uma das partes seja mais próxima ao síndico do que a outra, é preciso também buscar a total imparcialidade. Lembre-se de que o objetivo é promover o diálogo e o entendimento entre as pessoas e, assim, restaurar a tranquilidade do condomínio.

5. Adote a comunicação não-violenta

A comunicação não violenta evita os ataques e as defesas no momento de se comunicar e se baseia na empatia e em formas moderadas de expressão. Criada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, a abordagem considera que todas as pessoas compartilham das mesmas necessidades básicas e parte do princípio de que as ações que elas adotam funcionam como estratégias para atender a essas necessidades.

Partir desses princípios ajuda bastante a evitar o agravamento das situações problemáticas e abre caminhos para o diálogo e para a soluções.

6. Primeiro o diálogo, depois a assembleia

Grande parte dos conflitos entre condôminos ou destes com o condomínio é solucionada pelo diálogo, quando este é conduzido de maneira correta. Isso significa tratar os envolvidos de forma igualitária e respeitosa, dando a todos a oportunidade de se manifestarem.

Desde o primeiro momento, é importante deixar claro que o objetivo do diálogo e até das ações que possam surgir posteriormente não é o de estimular uma disputa e, assim, conceder vitória a uma ou a outra parte. O único propósito deve ser de reestabelecer a harmonia do condomínio.

Contudo, se a situação permanecer, o próximo passo deve ser levar a questão à assembleia de condôminos, mantendo a condição de participação equilibrada das partes. Nesse momento, é possível que elas encontrem na ponderação e no bom senso a superação do problema.

Porém, se ainda assim o conflito permanecer será necessário buscar alguma solução externa mais drástica. Nesses casos, é importante contar com a assessoria de um advogado que possa orientar qual o melhor caminho a seguir.