A partir de uma ideia simples, o YouTube se transformou em uma oportunidade para milhões de pessoas

Música, artes plásticas, cinema, humor, esporte, moda, política, economia, história, entretenimento, meras curiosidades e temas insignificantes. Estes são alguns dos múltiplos assuntos que você encontra no YouTube, a plataforma onde está abrigada uma infinidade de conteúdos. De tão presente na vida de bilhões de pessoas de o todo o mundo, o site até passa a impressão de que existe há décadas, mas, não é bem assim.

Início modesto

Foi em 14 de fevereiro de 2005 que Steve Chen, Chad Hurley e Jawed Karim, fundadores do YouTube e então funcionários da Pay-Pall, registraram o domínio da nova plataforma que revolucionaria o uso da internet. Vale lembrar que, naquele tempo, as câmeras digitais e celulares com câmera já eram populares, permitindo que, sem grandes investimentos e sem a necessidade de qualquer habilidade profissional, as pessoas não só fotografassem como também gravassem em vídeo os momentos comuns do dia a dia, o que estava acontecendo com frequência cada vez maior.

Diante disso, em 2004, o trio imaginou um site onde aqueles vídeos caseiros pudessem ser compartilhados com um público mais amplo, que alcançassem além dos amigos e da família de seus autores. A partir daí, pensando em como cada pessoa poderia se tornar uma espécie de produtora de televisão, que Chen, Hurley e Karim desenvolveram a plataforma.

No nome, a simplicidade

O nome do site, aliás, vem exatamente dessa possibilidade simplificada de produção e de exibição de vídeos por qualquer pessoa que tenha uma câmera e um computador com acesso à internet. A palavra you — você em inglês —associada a tube — uma referência ao tubo de imagem dos televisores antigos — quer dizer mais menos isso: que você pode produzir e exibir seus próprios vídeos, como faz uma emissora de televisão.

Inicialmente, essa ideia tecnologicamente sofisticada, mas simples e de apelo popular na essência, começou a virar realidade em um espaço não muito mais requintado do que as garagens onde foram criadas outras grandes companhias, como a HP, a Apple e o Google. A empresa que se tornaria um dos maiores serviços de streaming do mundo viveu os seu primeiro ano no segundo andar de um prédio em San Mateo, na California, onde funcionavam no térreo um restaurante e uma pizzaria.

Primeiro vídeo

Em 23 de abril de 2005, foi publicado o primeiro vídeo na plataforma, que traduz essa mesma simplicidade inicial. Muito sem graça, em uma produção tosca com 18 segundos de duração, a gravação Me at the zoo, que se tornaria um marco histórico, é estrelada pelo próprio Karim, um dos três fundadores, que aparece em frente à jaula dos elefantes do Zoológico de San Diego.  Na época com 25 anos, o rapaz nada mais havia feito do que gravar um vídeo simplório, mas que pode ser exibido para o mundo todo. Logo, outros jovens como ele também poderiam fazer o mesmo, o que rapidamente causou sensação na internet.

No mês seguinte, após a primeira experiência de Karim que foi totalmente despretensiosa em termos de produção, o YouTube foi lançado em uma versão beta aberta ao público. Todo o despojamento dos fundadores não impediu que, poucos meses após o lançamento do site, o potencial publicitário da plataforma começasse a atrair o interesse de grandes empresas.

Em 2005 mesmo, a Nike publicou o primeiro viral de uma grade marca no YouTube. Como estrela, ninguém menos do que o craque Ronaldinho Gaúcho que, depois de calçar a chuteira de ouro da fabricante de materiais esportivos, aparecesse chutando sucessivas bolas na trave, em um vídeo que, na época, recebeu um milhão de visualizações e que é famoso até hoje.

Os primeiros investidores e o Google

Logo, um grupo de investidores percebeu que a empresa de fato tinha valor. Em novembro de 2005, a Sequoia Capital injetou US$ 3,5 milhões no negócio. Em 2006, junto com a Artis Capital Management, a mesma empresa investiu outros US$ 8 milhões na nova plataforma, acelerando ainda mais o processo de transformação.

Poucos meses após o lançamento, o YouTube já não era uma promessa. Com cerca de 65 mil vídeos publicados, alcançava 100 milhões de visualizações por dia, o que é um número relevante inclusive para sites de ótimo desempenho mesmo nos dias de hoje.

Toda essa evolução rápida e impressionante acabou atraindo a atenção do Google, que, em outubro de 2006, comprou a plataforma por US$ 1,65 bilhão.

Números

Tudo o que se refere ao YouTube é superlativo. A começar pelo volume de vídeos que, segundo a empresa, é enviado para o site. São incríveis 500 horas de conteúdo armazenados por minuto, o que representa 30.000 horas de vídeo por hora e 720.000 horas por dia. Isso significa que se você parasse tudo o que faz da sua vida nesse exato momento para ficar por conta de assistir vídeos durante as 24 horas diárias, teria que viver mais 82,2 anos para conseguir visualizar tudo o que é publicado no YouTube em apenas um dia.

Os 2 bilhões de usuário mensais da plataforma acessam diariamente 1 bilhão de horas de conteúdo, sendo que mais 250 milhões dessas horas já são assistidas em TVs.  O restante é visto por meio de celulares, que respondem por 75% dos acessos ao site, e por computadores e tablets.

Não é por acaso que, apenas com anúncios, sem contar os pagamentos de assinantes, o YouTube faturou US$28, 8 bilhões em 2021 — mais de 11% do faturamento total da Alphabet, a empresa que controla as plataformas Google, que faturou US$258 bilhões no ano.  Entre outubro e dezembro do ano passado, o site obteve US$ 8,6 bilhões  com publicidade, ultrapassando os US$ 7,7 bilhões alcançados pela Netflix no mesmo período.

Atualmente presente com versões locais em 88 países, o YouTube cobre 95% das nações que acessam a internet, podendo ser navegado em 80 idiomas diferentes. Com todo esse desempenho, a empresa colocou entre suas metas a busca por novos meios para apoiar os produtores de conteúdos.

Nova profissão

Interagindo de maneira intensiva com o público — 81% dos jovens e 73% dos adultos americanos usam o YouTube —, a plataforma acabou criando a oportunidade para o surgimento de uma nova profissão: a do youtuber. Entre famosos e pessoas que eram desconhecidas do público, estes profissionais têm formações e faixas etárias variadas que se dedicam a produzir conteúdos para o site e que recebem por isso.

Celebridades como Felipe Neto e Whindersson Nunes se fizeram no YouTube. Também foi a plataforma que celebrizou personagens, como a Galinha Pintadinha, tão querida da crianças, e o grupo humorístico Porta dos Fundos.

Porém, nem só de sucessos estrondosos vivem os youtubers. A nova profissão pode render um bom dinheiro até mesmo para quem não atrai público aos milhões, mas tudo vai depender da qualidade e da aceitação do que é publicado.

De acordo com o site Business Insider, que fez um levantamento junto a parceiros do YouTube, a plataforma remunera os youtubers de acordo com o número de visualizações e de acordo com o conteúdo. Entre os sites analisados, naqueles de menor audiência, o valor pago foi de US$ 2 a US$ 34 para cada mil visualizações. A remuneração sobe para US$ 500 a US$ 2,5 mil para cada 100 mil visualizações — ou seja, de US$ 5 a US$ 25 para cada mil visualizações — e fica ainda mais interessante nos vídeos que recebem a partir de 1 milhão de visualizações, que recebem de US$ 2 mil a US$ 4 mil — o que representa uma remuneração menor a cada mil visualizações, variando de US$ 2 a US$4. Mas, cada caso é analisado separadamente pelo Google, que estabelece os próprios critérios de avaliação, que, por sua vez, são definidos de acordo com o mercado publicitário.

Portanto, se você está entre os bilhões de usuários do YouTube, sempre que estiver assistindo ou enviando um vídeo para a plataforma, vale a lembrança sobre como ela surgiu de uma ideia simples de um grupo de rapazes e sobre como se tornou tão grandiosa em tão pouco tempo.


Colabore com a produção do Comunidade Ativa fazendo uma doação com qualquer valor.
Pelo Pix, use a chave 43440241000164 ou clique no botão abaixo para contribuir usando cartão ou boleto.


 

 

 

 

One thought on “A partir de uma ideia simples, o YouTube se transformou em uma oportunidade para milhões de pessoas

Fechado para comentários.