{"id":1210,"date":"2020-09-17T18:57:39","date_gmt":"2020-09-17T21:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/?p=1210"},"modified":"2023-08-11T16:15:48","modified_gmt":"2023-08-11T19:15:48","slug":"na-era-da-humanidade-o-papel-decisivo-do-publico-na-sobrevivencia-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/2020\/09\/17\/na-era-da-humanidade-o-papel-decisivo-do-publico-na-sobrevivencia-do-planeta\/","title":{"rendered":"Na Era da Humanidade, o papel decisivo do p\u00fablico na sobreviv\u00eancia do planeta"},"content":{"rendered":"<p>por Carlos Alberto Rocha *<\/p>\n<p>H\u00e1 20 anos, <a href=\"https:\/\/www.eenews.net\/stories\/1059970036\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o Nobel de Qu\u00edmica Paul Crutzen definiu o termo <em>Antropoceno<\/em> como um novo est\u00e1gio no tempo geol\u00f3gico<\/a>, que passou a atribuir \u00e0 humanidade a devida import\u00e2ncia nos processos de transforma\u00e7\u00e3o da Terra. Deixando o Holoceno para tr\u00e1s \u2014 que para os puristas da geologia \u00e9 o atual per\u00edodo geol\u00f3gico\u00a0 \u2014, para Crutzen, o que tamb\u00e9m se tornou conhecido como a <em>Era da Humanidade<\/em> teve in\u00edcio no princ\u00edpio do s\u00e9culo 19, quando, a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, a humanidade passou a utilizar a energia contida nos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Mesmo com a moda negacionista emba\u00e7ando a vis\u00e3o de grande n\u00famero de pessoas, os estudos cient\u00edficos n\u00e3o deixam d\u00favida sobre o peso de transforma\u00e7\u00e3o que, de l\u00e1 pra c\u00e1, a humanidade passou a exercer sobre o nosso planeta. Muito al\u00e9m das evid\u00eancias gritantes dos inc\u00eandios no Pantanal, na Amaz\u00f4nia e at\u00e9 na Serra da Moeda, aqui pertinho de Belo Horizonte, sobre os quais recaem fortes ind\u00edcios da a\u00e7\u00e3o humana, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, a extin\u00e7\u00e3o de biomas inteiros, entre v\u00e1rios outros problemas que t\u00eam afetado o meio ambiente ao longo da hist\u00f3ria, denotam o quanto a nossa esp\u00e9cie se tornou prejudicial ao planeta.<\/p>\n<p>Mas, em que medida n\u00f3s, cidad\u00e3os, podemos agir para que a Era da Humanidade n\u00e3o se transforme na era da destrui\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie e de tantas outras com a qual compartilhamos o ambiente natural? Como podemos agir contra a onda de destrui\u00e7\u00e3o que est\u00e1 se tornando cada vez mais violenta? Muito se fala em mudan\u00e7as de comportamento e em consumo consciente, entre tantas outras a\u00e7\u00f5es individuais e coletivas que poder\u00edamos adotar. Mas, ser\u00e1 que tudo isso seria suficiente para brecar o desastre que est\u00e1 em pleno e acelerado processo?<\/p>\n<h6>Press\u00e3o p\u00fablica<\/h6>\n<p>Buscando uma resposta mais simplificada e \u00f3bvia, poder\u00edamos dizer que sim. Desde que as atitudes positivas sejam adotadas em escala planet\u00e1ria, podemos evitar o pior. Contudo, para que isso aconte\u00e7a, ser\u00e1 fundamental que o p\u00fablico esteja bem informado sobre a real situa\u00e7\u00e3o na qual vivemos e, a partir desse ponto, que possa agir para reverter a <a href=\"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/2020\/07\/31\/estudo-preve-colapso-da-civilizacao-em-40-anos-mas-a-historia-pode-ser-mudada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cat\u00e1strofe que alguns especialistas dizem ser iminente<\/a>.<\/p>\n<p>Para o professor de Comunica\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/profiles\/matthew-nisbet-114648\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Matthew Nisbet<\/a>, da Northeastern University, nos Estados Unidos, a gravidade das amea\u00e7as que vivemos no presente crescem a uma taxa que excede em muito os esfor\u00e7os pol\u00edticos para enfrent\u00e1-las, frustrando cientistas e ambientalistas, al\u00e9m de todas as demais pessoas que percebem que o enfrentamento da situa\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente.\u00a0Nisbet entende que a falta de conhecimento e de aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico figura entre os principais fatores que s\u00e3o respons\u00e1veis pela ina\u00e7\u00e3o da classe pol\u00edtica diante dos problemas ambientais.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/can-people-power-drive-action-on-climate-change-33155\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo publicado no The Conversation<\/a>, Nisbet destaca a defesa que os ambientalistas fazem sobre a necessidade de o p\u00fablico ser informado a respeito do consenso que h\u00e1 no meio cient\u00edfico quanto \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Uma vez informada, a sociedade poderia, inclusive, pressionar a classe pol\u00edtica para que as a\u00e7\u00f5es positivas sejam adotadas. \u201cSomente sob essas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 que os governantes eleitos &#8211; enfrentando a press\u00e3o de seus eleitores &#8211; t\u00eam probabilidade de adotar medidas pol\u00edticas significativas\u201d, diz Nisbet.<\/p>\n<p>O professor ressalta que, com este objetivo de oferecer ao p\u00fablico uma informa\u00e7\u00e3o especializada, milh\u00f5es de d\u00f3lares t\u00eam sido gastos em a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o que visam rivalizar com outras que negam a grave situa\u00e7\u00e3o ambiental que vivemos. Por\u00e9m, no mesmo artigo, Nisbet nos apresenta um ponto de contradi\u00e7\u00e3o ao questionar, com base na vis\u00e3o cient\u00edfica, se a opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9, de fato, t\u00e3o importante para os processos de mudan\u00e7a que s\u00e3o necess\u00e1rios para conter o avan\u00e7o da cat\u00e1strofe que est\u00e1 em andamento na Terra.<\/p>\n<h6>Contradit\u00f3rio<\/h6>\n<p>De acordo com o professor Nisbet, os cientistas pol\u00edticos discordam do fato de a opini\u00e3o p\u00fablica desempenhar papel t\u00e3o relevante nas decis\u00f5es pol\u00edticas no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es ambientais. Se referindo a <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0959378014001460\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudos realizado por pesquisadores da Simon Fraser University<\/a>, dos Estados Unidos, que buscaram a opini\u00e3o p\u00fablica referente a medidas adotadas para a conten\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de g\u00e1s de efeito estufa, Nisbet revela que, como conclus\u00e3o, foi percebido que a consci\u00eancia da exist\u00eancia de pol\u00edticas clim\u00e1ticas positivas e o conhecimento da efic\u00e1cia destas pol\u00edticas n\u00e3o est\u00e3o associados a um maior apoio dos cidad\u00e3os a elas.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa citada por Nisbet, o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es especializadas teve pouco impacto direto sobre o apoio p\u00fablico aos resultados das medidas adotadas. Para os pesquisadores, a opini\u00e3o p\u00fablica estaria mais propensa a ser guiada por outros valores concorrentes, relacionados a vis\u00f5es de mundo e de uma \u201cboa sociedade\u201d, que incluiriam cren\u00e7as culturais e intui\u00e7\u00f5es morais sobre a natureza, risco, progresso, autoridade e tecnologia.<\/p>\n<p>Diante desta conclus\u00e3o, ent\u00e3o, podemos supor que o senso comum tenha muito mais peso sobre a opini\u00e3o p\u00fablica do que os estudos cient\u00edficos.<\/p>\n<h6>P\u00fablico consciente<\/h6>\n<p>Nisbet observa ainda que os estudos revelam que as decis\u00f5es pol\u00edticas de bastidores, muitas vezes, t\u00eam muito mais peso sobre as a\u00e7\u00f5es efetivas do que a pr\u00f3pria opini\u00e3o p\u00fablica. Da\u00ed, podemos obter outra suposi\u00e7\u00e3o: uma vez empossados, os pol\u00edticos passariam a ser movidos muito mais pelas circunst\u00e2ncias da pol\u00edtica em si do que sobre o que pensam os eleitores.<\/p>\n<p>Ora, ainda que os cientistas pol\u00edticos percebam que o cidad\u00e3o quando assume o poder pol\u00edtico talvez n\u00e3o seja mais t\u00e3o perme\u00e1vel \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica quanto era antes de ser eleito, a conclus\u00e3o n\u00e3o invalida a import\u00e2ncia de as pessoas se tornarem mais bem informadas, de prefer\u00eancia, por meio de informa\u00e7\u00f5es geradas por especialistas nas quest\u00f5es ambientais e nas tantas outras que s\u00e3o de interesse da sociedade. Com base em informa\u00e7\u00f5es que tenham boa qualidade, o p\u00fablico talvez se torne mais cr\u00edtico diante dos valores defendidos por aqueles que se prop\u00f5em a assumir cargos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Portanto, na Era da Humanidade, h\u00e1 um refor\u00e7o da import\u00e2ncia de o conhecimento respaldado por estudos consistentes \u2014 e n\u00e3o por fal\u00e1cias de fakenews \u2014 ser amplamente distribu\u00eddo ao p\u00fablico. A partir deste conhecimento torna-se mais prov\u00e1vel que a sociedade se torne apta a eleger pessoas verdadeiramente comprometidas com as causas ambientais e com outras de interesse p\u00fablico e que n\u00e3o se tornar\u00e3o alheias a elas quando forem eleitas.<\/p>\n<p>* <em>editor do Comunidade Ativa e presidente da Amoran, Carlos Alberto \u00e9 jornalista e especialista em Educa\u00e7\u00e3o Ambiental<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre os temas abordados nessa mat\u00e9ria, acesse os links dispon\u00edveis ao longo do texto. Eles remetem \u00e0s fontes utilizadas aqui.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Uma dica: os artigos fora da p\u00e1gina do Comunidade Ativa que n\u00e3o estiverem em portugu\u00eas podem ser traduzidos automaticamente pelo navegador Google Chrome. Para tanto, basta clicar com o bot\u00e3o direito em qualquer ponto do texto a ser traduzido e escolher a op\u00e7\u00e3o &#8220;Traduzir para o portugu\u00eas&#8221;.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Carlos Alberto Rocha * H\u00e1 20 anos, o Nobel de Qu\u00edmica Paul Crutzen definiu o termo Antropoceno como um<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1211,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,3],"tags":[],"class_list":["post-1210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidadania","category-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1210"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3724,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1210\/revisions\/3724"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}