{"id":1705,"date":"2021-02-12T12:14:11","date_gmt":"2021-02-12T15:14:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/?p=1705"},"modified":"2023-08-11T16:59:29","modified_gmt":"2023-08-11T19:59:29","slug":"no-edificio-morato-um-resumo-da-historia-do-anchieta-e-de-uma-das-familias-mais-tradicionais-do-bairro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/2021\/02\/12\/no-edificio-morato-um-resumo-da-historia-do-anchieta-e-de-uma-das-familias-mais-tradicionais-do-bairro\/","title":{"rendered":"No Edif\u00edcio Morato, um resumo da hist\u00f3ria do Anchieta e de uma das fam\u00edlias mais tradicionais do bairro"},"content":{"rendered":"<p>Quem passa pela Rua Caratinga, na esquina com Odilon Braga, em frente \u00e0 Igreja de S\u00e3o Mateus, no Anchieta, e encontra o grande edif\u00edcio que domina toda aquela parte do quarteir\u00e3o, talvez n\u00e3o imagine a tradi\u00e7\u00e3o que aquele pr\u00e9dio abriga. Dividido em tr\u00eas blocos \u2014 A, B\u00a0 e C \u2014, o Edif\u00edcio Morato est\u00e1 estreitamente ligado \u00e0 fam\u00edlia cuja trajet\u00f3ria se confunde com o desenvolvimento do bairro Anchieta e que tem representantes morando naquele mesmo ponto desde o final dos anos 1930.<\/p>\n<h6>S\u00edtio do Morato<\/h6>\n<figure id=\"attachment_1707\" aria-describedby=\"caption-attachment-1707\" style=\"width: 435px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1707 \" src=\"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/antoniomorato.jpg\" alt=\"\" width=\"435\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/antoniomorato.jpg 484w, https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/antoniomorato-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1707\" class=\"wp-caption-text\">Flagradoem um passeio a cavalo pelas ruas do Anchieta dos anos 1940, Ant\u00f4nio Morato se mudou para o bairro em 1937, onde, por tr\u00eas d\u00e9cadas, viveu com a esposa Odete e com os filhos no s\u00edtio que possu\u00eda na antiga Rua Tuiuiu \u2014 hoje Odilon Braga (Foto: acervo da fam\u00edlia Morato)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a em 1937, quando o comerciante Ant\u00f4nio Morato e a esposa Odete resolveram se mudar do Carmo para o terreno que haviam adquirido na Rua Tuiuiu, como era denominada a Odilon Braga, nos tempos da antiga Vila Anchieta. Nos 6 mil metros quadrados que se estendiam da Rua Dom Vital at\u00e9 a Caratinga, o casal formou um belo s\u00edtio, onde, al\u00e9m da casa, havia tudo o que uma propriedade rural deve ter. \u201cSob a administra\u00e7\u00e3o de um caseiro, meu av\u00f4 sempre mantinha no s\u00edtio cavalos, vacas, porcos e cabritos. Tamb\u00e9m havia um galinheiro enorme e, \u00e9 claro, os c\u00e3es e os gatos. Havia ainda uma horta e o pomar com todos os tipos de frutas \u2014 jabuticaba, manga, laranja, abacate e muito mais\u201d, diz Luiz Dutra, neto de Morato e de Odete, que chegou a brincar na propriedade quando crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Luiz conta que o av\u00f4 era dono do Armaz\u00e9m Santo Ant\u00f4nio, que havia na esquina da Rua Montes Claros com a Gr\u00e3o Mogol. Portanto, como era comum naquela \u00e9poca, enquanto Seu Ant\u00f4nio Morato se encarregava do com\u00e9rcio, Odete se dedicava \u00e0 lida da casa e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dos quatro filhos: Luiz Carlos, o mais velho, Maria Auxiliadora, a segunda a nascer, Ant\u00f4nio Augusto e o ca\u00e7ula Jos\u00e9 Eduardo, que se dividiam entre os estudos e as brincadeiras no s\u00edtio nos finais de semana.<\/p>\n<h6>Transforma\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>Com o passar do tempo, a cidade foi se transformando e, com ela, o Anchieta foi perdendo a caracter\u00edstica rural e assumindo uma fei\u00e7\u00e3o cada vez mais residencial. Nos anos 1960, os terrenos come\u00e7aram a interessar quem percebia o futuro da regi\u00e3o. Inicialmente, eram procurados para a constru\u00e7\u00e3o de casas e, logo, para a constru\u00e7\u00e3o dos primeiros edif\u00edcios do bairro.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, os filhos de Ant\u00f4nio Morato e de Odete haviam crescido e constitu\u00eddo fam\u00edlia, o que fez que eles optassem pela venda de partes do terreno, que j\u00e1 era muito grande para abrigar a fam\u00edlia. Para o lote remanescente que restou na Caratinga, por\u00e9m, a escolha foi por fazer uma permuta com a construtora que ergueria o edif\u00edcio. O neg\u00f3cio foi feito de maneira a garantir um n\u00famero suficiente de unidades que pudesse atender a cada um dos filhos e ainda permitisse que o casal reservasse alguns apartamentos para si.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1708\" aria-describedby=\"caption-attachment-1708\" style=\"width: 354px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1708 size-full\" src=\"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/edmorato.jpg\" alt=\"\" width=\"354\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/edmorato.jpg 354w, https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/edmorato-300x288.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 354px) 100vw, 354px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1708\" class=\"wp-caption-text\">Ocupando o que restava do s\u00edtio da fam\u00edlia, a constru\u00e7\u00e3o do Bloco A do Edif\u00edcio Morato foi iniciada em 1968 (Foto: acervo da fam\u00edlia Morato)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 1968, quando o Bloco A foi conclu\u00eddo, come\u00e7ou uma nova etapa da fam\u00edlia Morato, que faria do condom\u00ednio o seu novo lar. \u201cMinha av\u00f3 adorou se mudar para um apartamento. J\u00e1 o meu av\u00f4 n\u00e3o se adaptou tanto e o gosto pela vida rural fez com que ele passasse a alternar a vida em BH com as estadias na fazenda que tinha em Leandro Ferreira, no interior de Minas\u201d, conta Luiz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do casal Morato e dos quatro filhos, logo outras fam\u00edlias se mudariam para o edif\u00edcio. Em breve, o n\u00famero de moradores aumentaria ainda mais com a conclus\u00e3o dos blocos B e C nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Assim, onde antes havia um s\u00edtio com grande diversidade de bichos e de planta\u00e7\u00f5es, surgiu uma verdadeira comunidade, repleta de crian\u00e7as, que literalmente se esbaldavam nos amplos espa\u00e7os da constru\u00e7\u00e3o e nas ruas do bairro, onde a liberdade ainda era poss\u00edvel. \u201cEu tive uma inf\u00e2ncia maravilhosa, de fazer inveja. A gente se divertia com as brincadeiras de rua. T\u00ednhamos mil amizades no pr\u00e9dio e no bairro, muitas das quais eu cultivo at\u00e9 hoje. Al\u00e9m disso, eu estava sempre pr\u00f3ximo dos meus av\u00f3s\u201d, relembra Luiz, que atualmente tamb\u00e9m mora no Edif\u00edcio Morato com a m\u00e3e, Maria Auxiliadora, a segunda filha de Seu Ant\u00f4nio, mais conhecida no Anchieta como Dona Lia.<\/p>\n<h6>Novas gera\u00e7\u00f5es<\/h6>\n<p>Dos quatro irm\u00e3os, Luiz Carlos e Ant\u00f4nio Augusto faleceram e Jos\u00e9 Eduardo mudou de endere\u00e7o. Por\u00e9m, a presen\u00e7a da fam\u00edlia permanece s\u00f3lida no edif\u00edcio. Al\u00e9m de Lia e do filho Luiz, M\u00e1rcio Herique, filho de Luiz Carlos, mora com a esposa e o filho no mesmo pr\u00e9dio onde chegou em 1973. \u201cNaquela \u00e9poca, as missas da Igreja S\u00e3o Mateus ainda eram celebradas onde funciona hoje o Sal\u00e3o Dom Jo\u00e3o. A Rua Caratinga era m\u00e3o dupla e o \u00f4nibus da Via\u00e7\u00e3o Anchieta tinha um ponto em frente ao pr\u00e9dio e depois subia a Joaquim Linhares.\u00a0 O bairro tinha seus personagens que, desde meninos, conhec\u00edamos e \u00e9ramos amigos \u2014 como o Z\u00e9 Porquinho, Goiaba, Tirage, Celso Carroceiro, Zal\u00e3o e tantos outros \u2014 que passavam em frente ao nosso pr\u00e9dio e sempre saudavam a \u2018patota\u2019 que brincava ali o dia inteiro\u201d, relembra M\u00e1rcio Henrique sobre os tempos da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Odete faleceu em 1988, sendo seguida no mesmo ano por Ant\u00f4nio Morato, que n\u00e3o se conformou com a partida da esposa. Com isso, eles n\u00e3o puderam acompanhar a vida dos 14 netos, o nascimento de grande parte dos 29 bisnetos e de nenhum dos cinco tetranetos. Tampouco puderam testemunhar o desenvolvimento acelerado do bairro que viram nascer e que ajudaram a formar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se precisassem de uma descri\u00e7\u00e3o sobre como as coisas mudaram em 32 anos, a fala do neto M\u00e1rcio Henrique seria bastante apropriada. \u201cAs crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de brincar nas r\u00a0uas, as casas est\u00e3o sendo substitu\u00eddas pelos grandes edif\u00edcios, que esconderam a Serra do Curral, assim como, do alto da montanha, n\u00e3o avistamos mais o Edif\u00edcio Morato. Mas, temos a certeza de que ambos est\u00e3o l\u00e1, a Serra e o Edif\u00edcio, nos devidos lugares, e o Morato continua representando um trecho deste bairro que tanto amamos e nos orgulhamos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(publicado originalmente na edi\u00e7\u00e3o 119 da vers\u00e3o impressa do Comunidade Ativa de outubro de 2018)<\/p>\n<form style=\"padding-left: 80px;\" action=\"https:\/\/pagseguro.uol.com.br\/checkout\/v2\/donation.html\" method=\"post\">\n<hr \/>\n<\/form>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem passa pela Rua Caratinga, na esquina com Odilon Braga, em frente \u00e0 Igreja de S\u00e3o Mateus, no Anchieta, e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1706,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1705","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pelo-bairro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1705"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1705\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3797,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1705\/revisions\/3797"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1706"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.comunidadeativa.jor.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}