Condomínios

Condomínios conectados ao bairro são mais seguros

A experiência internacional mostra que segurança pública não se faz apenas com policiamento, mas também com a participação ativa da comunidade — e os condomínios cumprem papel fundamental nesse processo.

Estudos recentes apontam que, quando moradores se envolvem em ações como vigilância colaborativa, melhoria da iluminação e integração entre vizinhos, entre outras vantagens, há redução consistente da criminalidade e aumento da sensação de segurança — um efeito que começa nas ruas e se reflete diretamente dentro dos prédios, das casas e das empresas.

Mimamori

Um dos casos mais emblemáticos vem de Kakogawa, no Japão, onde foi adotado o conceito mimamori, que pode ser traduzido como “ver e proteger”. A estratégia combina tecnologia com engajamento social: mais de 1,5 mil câmeras foram instaladas na cidade, sempre associadas ao olhar atento da população.

Como resultado, entre 2017 e 2021, Kakogawa experimentou uma queda de cerca de 50% nos índices de criminalidade. A iniciativa teve aprovação popular superior a 90% e reforçou uma lição importante: tecnologia sozinha não resolve. É a participação humana que potencializa seus efeitos.

Essa conclusão foi confirmada por estudo publicado em 2024 na revista Sustainable Cities and Society, que aponta que câmeras e engajamento comunitário são ferramentas complementares.

 

"Mimamori" é um conceito japonês que une o monitoramento por vídeo com a atenção da comunidade (Imagem: IA ChatGPT)
“Mimamori”  — ver e proteger — é um conceito japonês que une o monitoramento por vídeo com a atenção da comunidade (Imagem: IA ChatGPT)
Mais exemplos

Outras cidades também registram bons resultados nesse sentido. Na Filadélfia, nos Estados Unidos, pesquisa publicada na Justice Quarterly identificou redução de 13% nos crimes em áreas com monitoramento por câmeras. O estudo destaca ainda o chamado “efeito de difusão de benefícios”, que ocorre quando um ponto monitorado estende sua proteção às ruas vizinhas, criando um cinturão de segurança que alcança diretamente os condomínios do entorno.

Na Europa, evidências reforçam esse cenário. Uma meta-análise internacional com quatro décadas de dados, divulgada em 2019 na plataforma acadêmica CrimRxiv, aponta que sistemas de vigilância são mais eficazes quando associados à boa iluminação pública e à integração entre comunidade e forças de segurança.

Em Barcelona, estudo publicado na Computer Law & Security Review já indicava, desde 2011, reduções significativas de delitos a partir dessa combinação.
Pesquisa publicada em 2024 na revista PNAS Nexus, que analisou centenas de cidades, concluiu que a presença de câmeras aumenta a percepção de segurança — sobretudo quando aliada a redes comunitárias fortes e comunicação entre moradores.

RPP

Nos bairros atendidos pela Amoran, a Rede de Proteção Preventiva (RPP), projeto da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), que está sendo estruturado na região pela associação, incentiva especialmente a participação condominial — além de casas e empresas — em ações como o monitoramento compartilhado das ruas por câmeras. Para o condomínio, a proposta é simples: fortalecer os vínculos comunitários e ampliar a vigilância para além dos muros, gerando reflexos diretos na segurança interna dos prédios.

Carlos Alberto Rocha, presidente da Amoran, acredita que essa iniciativa cria um ciclo virtuoso. “Ruas mais seguras significam portarias mais tranquilas, menor incidência de invasões e de furtos em garagens de condomínios, além de mais proteção para casas e comércios. Tudo isso se traduz em maior qualidade de vida para quem mora e trabalha na região”, afirma.

Carlos Alberto destaca que o conceito de “coprodução da segurança” mostra que a responsabilidade pela proteção deve ser compartilhada entre poder público e sociedade, havendo espaço para que os condomínios sejam protagonistas nessa combinação. “Fica cada vez mais evidente que investir apenas na segurança condominial interna, intramuros, já não é suficiente. Quando os condomínios se conectam com o entorno, compartilham informações e participam da proteção das ruas, o crime perde espaço”, considera.

Carlos Alberto entende que, nesse esforço, a tecnologia é aliada estratégica. “Por isso, há anos, a Amoran vem pesquisando soluções de videomonitoramento. Mas sempre com a convicção de que sem a participação das pessoas — de condomínios, casas e empresas — nenhuma solução será plenamente eficaz”, conclui.