Pet sitting e consultoria comportamental: bem-estar para o seu pet e tranquilidade para você

Cada um com sua própria característica, os pets são ótimas companhias para pessoas de todas as idades. Oferecem carinho, diversão e muito afeto e, para muitos tutores, acabam assumindo o papel de verdadeiros filhos, que devem ser tratados com todo o cuidado. Porém, na correria diária ou em ocasiões excepcionais — como viagens, doenças na família e compromissos de trabalho ou de estudo — nem sempre é possível oferecer a eles a dedicação que merecem, o que, muitas vezes, acaba levando as pessoas a tomarem atitudes nada aconselháveis.

Afinal, deixar o animal por um longo período sozinho ou sob a responsabilidade de alguém que não tenha habilidade para lidar com ele, de tão arriscadas, são alternativas que nem deveriam ser consideradas.

Pet sitting como solução segura
Além do trato básico, o profissional qualificado em pet sitting oferece atividades que enriquecem a rotina do animal (Foto: Rossana Magri Fotografia)

Uma solução bastante segura para aquelas situações nas quais o tutor está impedido de cuidar de seus animais pode vir da contratação de um profissional de pet sitting, que desempenha esta função de maneira especializada,  na própria residência do cliente. Assim, no caso de uma ausência prolongada ou quando não é possível oferecer pessoalmente a atenção adequada para os bichos, o pet sitter se faz presente para cuidar do animal.

A pet sitter e consultora de comportamento animal Letícia Orlandi destaca que o trabalho de um profissional devidamente capacitado para a função inclui o trato básico do animal, mas vai muito além disso. “Além de trocar a água,  providenciar a alimentação e limpar o banheirinho, o profissional qualificado nesta área desenvolve atividades que enriquecem a rotina do pet e ampliam seu bem-estar e que só podem ser oferecidas de forma segura por pessoas treinadas e qualificadas para isso”, ela diz.

Letícia explica que, para prestar um atendimento de alto nível, que minimize as possibilidade de ocorrerem problemas durante o atendimento e que esteja de acordo com as necessidades específicas de cada pet, antes de ele ser deixado sob os cuidados do pet sitter, o profissional deve fazer uma preparação. “Nesse sentido, além de conhecer o ambiente onde o pet vive e a rotina com a qual ele está habituado, por meio de relatórios, vídeos e fotografias, também é importante obter junto ao tutor informações adicionais sobre o cotidiano do animal”, destaca.

Pet sitting ou hotelzinho?

Letícia observa que, eventualmente, algumas pessoas confundem o serviço de pet sitting com o de hospedagem oferecido pelos hoteizinhos para animais. “Embora existam profissionais que façam as duas coisas — hospedem animais em casa ou em um hotelzinho e cuidem de outros na residência de origem —, é importante diferenciar as duas atividades”, alerta.

Como os gatos geralmente sofrem estresse quando são retirados do ambiente onde vivem, o serviço de pet sitting geralmente é mais aconselhável do que a hospedagem em um hotelzinho (Foto: Rossana Magri Fotografia)

A profissional esclarece que, diferente dos hoteizinhos, como o pet sitting exige preparação, o serviço deve ser agendado com alguma antecedência. Para Letícia, é importante que a seleção do tipo de serviço que será contratado e do profissional que vá prestá-lo não seja feita somente com base no preço cobrado. “Há pessoas que, por mais bem intencionadas que sejam, não estão qualificadas para situações de emergência ou que, simplesmente, podem mudar de planos na última hora, sem compromisso com o cliente. Tudo isso deve ser considerado”, alerta.

De acordo com a pet sitter, cães, gatos, pássaros, roedores, répteis, ou seja, todos os animais de estimação, podem ser atendidos pelo serviço de pet sitting. “Contudo, há profissionais que limitam a atuação a apenas uma espécie. Como os cat sitters, que cuidam exclusivamente de gatos”, exemplifica.

Para gatos em geral, Letícia entende que o serviço de pet sitting, e não o de hospedagem, seja o mais recomendado. “Isso porque os gatos são animais que sofrem muito com o estresse de serem retirados de seu ambiente. Mas, cada caso é um caso. Podem haver problemas de saúde e outros aspectos que precisam ser valorizados na análise”, explica.

A mesma observação se aplica aos cães, que precisam ser avaliados para definir qual a melhor forma de cuidá-los quando os tutores não estão presentes. “Por exemplo, já indivíduos que não interagem bem com outros animais ou que estão acostumados a ficar algumas horas do dia sozinhos, o que pode torná-los mais aptos ao serviço de pet sitting. Por outro lado, se o tempo de ausência do tutor for muito prolongado, como numa viagem, e dependendo do perfil do cachorro, a hospedagem pode ser mais indicada”, considera.

Benefícios para os pets e para os tutores

Letícia afirma que, ao receber uma visita de um pet sitter qualificado, o animal será cuidado por alguém 100% dedicado a ele naquele período de interação. “Estamos falando de um profissional que saberá oferecer atividades adequadas à espécie em questão, de forma que o animal tenha uma rotina equilibrada, com estímulos positivos para suprir suas necessidades físicas, cognitivas, sensoriais, ambientais e sociais. Mas não é só isso. Ciente da responsabilidade que tem como guardião do animal na ausência do dono, o pet sitter permanece atento aos sinais de stress, desconforto, possíveis doenças e lesões. Diante de alguma necessidade, o profissional será capaz de identifica-la e de tomar as devidas providências. Inclusive levando ao veterinário, se for necessário”, destaca.

Mas não são só os pets que saem ganhando. “O tutor, além de ganhar paz de espírito quando precisa se ausentar, por ter certeza de que seu animal está bem cuidado, ganha também um aliado para o bem-estar dos seus bichos de estimação. O pet sitter qualificado é alguém que conhece a rotina e os comportamentos do animal e, a partir do conhecimento adquirido em cursos com profissionais de referência, pode fazer sugestões e ajudar a melhorar o ambiente em que o bichinho vive e propor pequenas e graduais mudanças na rotina, para torná-la mais rica e estimulante, prevenindo problemas comportamentais e físicos futuros”, explica.

Consultoria comportamental

O consultor comportamental também pode fazer toda a diferença na qualidade de vida dos pets e de seus tutores. Segundo Letícia, esse tipo de profissional está qualificado para propor planos de ação que visem ampliar o bem-estar do animal e, ao mesmo tempo, harmonizá-lo com a família. “O consultor animal também auxilia na adaptação do pet a um novo ambiente e com outros animais e é bastante eficaz para

Entre outras funções, a consultoria comportamental ajuda na adaptação entre animais (Foto: Rossana Magri Fotografia)

modificar comportamentos inadequados”, explica.

A consultora diz que isso é possível a partir de visitas presenciais e por atendimentos on-line que permitem conhecer os tutores, os animais, o ambiente e a rotina em que eles vivem. “O consultor comportamental deve conhecer profundamente o comportamento de cada espécie e saber adaptar métodos e conceitos a cada caso. Não existe uma fórmula pronta. É necessário avaliar o indivíduo e o contexto. Esse profissional trabalha em conjunto com uma equipe multidisciplinar, que inclui médicos veterinários, adestradores, passeadores e pet sitters, de forma que a situação seja abordada de forma integral” ressalta Letícia.

A profissional chama a atenção para alguns aspectos da consultoria comportamental, que exigem avaliações e ações que, como ocorre com o serviço de pet sitter, também precisam ser tomadas com antecedência. “Como no caso da adoção de um novo pet por uma família que já tenha outro animal em casa, por exemplo. Neste caso, é importante que a consultoria deve ser feita, idealmente, antes da chegada do novo bichinho à casa. Assim, será possível preparar o local e a rotina para uma adaptação tranquila”, considera.

Capacitação

De acordo com Letícia, existem muitos cursos, on-line e presenciais, que contribuem para a qualificação de profissionais que atuam na área de bem-estar animal, como os pet sitters e os consultores. “Eu, por exemplo, busquei não só cursos, mas também certificações. Sou uma das duas únicas profissionais brasileiras certificadas pela Pet Sitters International, maior associação mundial do setor”, destaca.

Para a profissional, os cursos mais importantes voltados para estas áreas de cuidados com os animais são aqueles que abordam as características e os comportamentos naturais das espécies. “Para atender às necessidades do animal, eu preciso conhecê-lo. Conhecimento em adestramento com reforço positivo e enriquecimento e otimização ambiental também são muito importantes para o profissional de bem-estar animal. O passeador de cães, por exemplo, deve ter conhecimento em passeio educativo com reforço positivo, para que essa experiência seja a melhor possível. Especialmente no caso de pet sitters, qualificação em primeiros socorros e procedimentos de emergência também são fundamentais”, diz.

Para concluir, Letícia ressalta a importância específica de cada atividade profissional voltada para a saúde e para a qualidade de vida dos animais, que não podem ser confundidas. “É importante que os tutores não confundam o consultor, educador, adestrador e o pet sitter com o médico veterinário, tentando cortar caminho para algumas questões que devem ser avaliadas por um profissional que é da área de saúde”, alerta.