Dicas para melhorar o seu sinal Wi-Fi

O sinal Wi-Fi já se tornou uma daquelas comodidades das nossas vidas que, de tão presente, só é notado quando falta ou quando perde a qualidade, o que não é raro acontecer. Mesmo com toda a tecnologia disponível, há quem sempre reclame de algum problema com a conexão sem fio, o que acontece principalmente nas residenciais e em pequenas empresas, onde, na maior parte das vezes, a instalação não chega a ser planejada com a devida atenção.

Para ajudar você a resolver as dificuldades mais corriqueiras, confira a seguir informações úteis sobre o funcionamento da conexão Wi-fi, sobre as possíveis origens dos problemas que podem afetá-la e sobre como é possível soluciona-los.

Modem e roteador

Para honrar o apelido, a conexão sem fio deveria manter fidelidade constante. Afinal, Wi-Fi vem do termo wireless fidelity (fidelidade sem fio), uma brincadeira com o conceito de High Fidelity (alta fidelidade), ou Hi-Fi, que antigamente era utilizado para caracterizar os bons equipamentos de som. Porém, como na tecnologia WLAN (de wireless local area network ou rede local sem fio, nome técnico do Wi-Fi) a transmissão e a recepção de dados é feita por meio de ondas magnéticas, além de depender da potência do equipamento que gera o sinal, ela também está sujeita a interferências de vários tipos. Por isso, a fidelidade do sinal sem fio nem sempre é tal alta quanto desejamos.

Para chegarmos a alguma solução, antes, precisamos entender que toda conexão à internet depende de uma

Os roteadores externos ou incorporados aos modens fazem a transmissão do sinal Wi-Fi (Imagem: Freepik)

interface, que conecta um dispositivo — um computador, uma TV, outro aparelho qualquer ou mesmo uma rede local — à rede mundial. Essa interface é feita por um aparelho que conhecemos como modem, que, ainda hoje, cumpre as mesmas funções daqueles que, no passado, recebiam e transmitiam os sinais de internet pela linha telefônica.

Porém, os serviços de internet atuais oferecem dois tipos de modens. Há aqueles mais antigos, mas ainda bastante utilizados, que se conectam à internet, mas que dependem de um segundo aparelho chamado roteador para se conectarem a um único dispositivo ou a uma rede local de equipamentos. Há também os aparelhos que cumprem  a dupla função de modem e de roteador.

Considerando que os problemas com o Wi-Fi estão associados à transmissão e à recepção das ondas eletromagnéticas produzidas pelos aparelhos durante a comunicação entre eles, o primeiro passo para saná-los e descobrir se o roteador é externo ou se é conjugado com o modem. A partir disso você poderá dar a devida atenção à fonte de geração do sinal e utilizar uma das dicas a seguir — ou combinar várias delas — para resolver as dificuldades com a sua conexão.

Posição do roteador

Independente de ser externo ou conjugado com o modem, fato é que a posição do roteador influencia bastante a

O roteador posicionando em ponto central do imóvel equilibra a distribuição do sinal (Imagem: All-Free)

qualidade do sinal. Afinal, se você posicionar o aparelho em um extremo do imóvel, é natural que no outro extremo o sinal chegue mais fraco do que nas regiões mais próximas ao local de geração.

Portanto, considerando que as ondas eletromagnéticas em todas as direções, o ideal é posicionar o roteador no ponto mais central possível do imóvel. Claro que o sinal continuará mais forte nos cômodos mais próximos daquele ponto, mas, pelo menos, a distribuição será feita de forma mais equilibrada.

Atenção para os obstáculos

Na maioria das vezes, as paredes convencionais, o mobiliário e os aparelhos de uma casa ou de um pequeno escritório não chegam a criar problemas para que o sinal Wi-Fi flua bem pelo imóvel. Contudo, determinados equipamentos eletrônicos, sobretudo quando estão ligados, certos tipos de janelas, de revestimentos de paredes e uma série de outros objetos e materiais podem servir como bloqueadores do sinal Wi-Fi, reduzindo-o bastante ou até chegando ao ponto de anulá-lo.

Sendo assim, é conveniente que espaço entre o roteador e os equipamentos servidos por ele não fique obstruídos por qualquer obstáculo que possa interferir na conexão. Caso esta possibilidade não exista, será necessário recorrer a uma ou mais soluções que permitam que os barreiras seja superadas.

Extensores, repetidores e access point
Os repetidores e extensores podem resolver problemas mais simples de conexão (Imagem: Intelbras)

Talvez o problema possa ser resolvido simplesmente ligando um repetidor ou um extensor de sinal em uma tomada entre o roteador e o ponto onde o Wi-Fi está fraco ou não chega. Porém, pode ser que a situação exija uma solução mais elaborada. Por exemplo, se você mora numa casa muito ampla ou que tem mais de um pavimento, é possível que o sinal perca a qualidade consideravelmente nos locais distantes ou fora do andar onde o roteador está instalado. Eventualmente, o caso pode ser resolvido com a instalação de um extensor, de um repetidor ou mesmo de outro roteador que esteja conectado via cabo ao roteador principal.

Extensores e repetidores de sinal são soluções de baixo custo que costumam resolver satisfatoriamente uma parte dos problemas com o Wi-Fi, principalmente em locais mais isolados, onde não tenha grande poluição eletromagnética. Na essência, os dois aparelhos cumprem a mesma função. Recebem o sinal do roteador, amplificam e enviam o sinal amplificado para um ponto mais distante, onde o sinal original não alcançaria. A diferença entre os equipamentos fica por conta do tipo de tratamento que cada um dá à conexão.

Os repetidores simplesmente servem como uma ponte, que leva o sinal amplificado de um ponto a outro. Assim, eles não alteram o nome da rede e servem apenas como mais uma porta de entrada para ela. Os extensores, por sua vez, simulam a existência de um segundo roteador, criando outro ponto de acesso à rede (por exemplo, o roteador poderia ser nomeado como “primeiro andar” e extensor como  “segundo andar”). O problema desses aparelhos está na possibilidade de o sinal receber mais interferências eletromagnéticas, o que muitas vezes também prejudica a qualidade do Wi-Fi, tornando os aparelhos ineficientes.

Com um pouco mais de investimento, é possível criar o chamado access point, que nada mais é do que a instalação de um segundo roteador, que será conectado via cabo a uma das portas de saída do primeiro. Desta forma, não só é possível manter a boa qualidade do sinal por todo o imóvel, como também surge a oportunidade para a criação de uma segunda rede no mesmo local.

Potência e velocidade do roteador

Naturalmente, a potência do roteador influencia bastante no alcance e na qualidade do sinal Wi-Fi. A maior parte dos aparelhos ainda utilizados trabalha com potência de 100 miliwatts (mW). Porém, há equipamentos com potência de 1000 mW com preços bastante acessíveis que chegam a triplicar o desempenho da conexão.

Outro ponto importante a ser observado é a velocidade de recepção e de transmissão dos dados — medida em bits por segundo (bps ou b/s) — que o roteador pode atingir. Esta condição não está diretamente ligada à qualidade do sinal Wi-Fi em si, mas influencia o desempenho da conexão e, portanto, a sua satisfação com a internet. Equipamentos mais antigos mantêm o fluxo de dados na casa dos 11 bps, enquanto a tecnologia atual permite conexões de até 600 bps, aumentando consideravelmente a capacidade de fluxo de dados dos roteadores e, por consequência, a experiência com a conexão.

Mantenha o equipamento atualizado

Como ocorre com tantos outros equipamentos eletrônicos, os roteadores também operam de acordo com programas chamados firmwares, que passam por atualizações periódicas. Quando o firmware de um aparelho está desatualizado ele pode ser tornar incompatível com alguns dos protocolos mais recentes da internet, comprometendo o desempenho.

As atualizações podem ser obtidas pelo site do fabricante, que também instrui sobre como realizá-las. Contudo, para quem tem alguma dificuldade para lidar com esse tipo de procedimento, é mais seguro pedir para que uma pessoa mais familiarizada com a tecnologia o faça.

Proteja o seu sinal

O “amigo do alheio” também pode ser um dos grandes responsáveis pela baixa qualidade do seu Wi-Fi. Portanto, como existe a possibilidade de algum vizinho querer roubar o seu sinal, procure protege-lo. Isso não só evitará que algum espertalhão use a sua conexão, como também não impedirá que a sua rede local fique exposta.

Uma senha segura dificulta as invasões (Imagem: Freepik)

Para obter uma boa proteção, aplique as mesmas medidas para a sua senha do Wi-Fi que você adota nos ambientes que exigem senhas seguras. Nunca use senhas de fácil dedução, como números em sequência, ou informações que possam ser associadas facilmente a você, como datas de aniversários, nome de alguém da família, do animal de estimação ou do seu time do coração. No lugar, utilize combinações que incluam números, letras maiúsculas e minúsculas e sinais. Para facilitar a memorização, você pode inventar uma palavra que obedeça a essas regras.

Além disso, para aumentar a segurança, convém mudar a senha periodicamente, sem dificultar muito a sua vida. Por exemplo, se você inventou uma palavra, basta alterar alguns dos números e dos sinais que a dificuldade para decifrá-la será mantida.

Outra forma de proteção do seu sinal e da sua rede pode vir do uso do protocolo WAP, que trabalha com padrão de criptografia do Wi-Fi, que é muito mais seguro. A utilização de um endereço MAC, por sua vez, que limita o acesso ao roteador somente para determinados equipamentos que sejam associados a ele, torna praticamente impossível o acesso de pessoas não autorizadas ao seu roteador.

Mude de canal de transmissão

Assim como ocorre com o sinal de televisão, os roteadores trabalham com transmissões em determinados canais, que correspondem a frequências específicas compreendidas em determinadas faixas de frequência. É muito possível que muitos dos seus vizinhos operem no mesmo canal no qual o seu roteador está sintonizado, o que faz com que aquela frequência fique congestionada e prejudique a sua conexão.

Para melhorar o desempenho do seu Wi-Fi, você simplesmente pode mudar de canal, escolhendo um que está mais livre. Para descobrir as frequências menos ocupadas basta instalar um aplicativo no seu smartphone que faça a varredura dos canais. Para aparelhos Android, por exemplo, existem o WiFi Analyzer e o WiFi Stumbler que oferecem gráficos que indicam a utilização dos canais pelos roteadores da vizinhança e, a partir daí, apontam os que estão mais livres.

A alteração do canal pode ser feita seguindo as orientações do fornecedor do equipamento, que estão disponíveis no site ou no manual de instruções do aparelho.

Mude a frequência

A faixa de frequência onde o canal está inserido também influencia a qualidade do Wi-Fi. Geralmente as redes configuradas para trabalharem na frequência de 5 GigaHertz (GHz) apresentam melhor desempenho do que as que operam na faixa inferior de 2,4 GHz, que sofre mais interferências de outros equipamentos eletrônicos.

A opção de 5 GHz não está disponível para todos os equipamentos, ao passo que existem outros que podem, inclusive, operar nas duas bandas — de 2,4 GHz e de 5 GHz. No site do fabricante ou no manual, verifique se esta opção está disponível para o seu roteador. Se tiver, siga as instruções de mudança da faixa.

Fique de olho nos aplicativos
Os aplicativos dos celulares e das smart tvs podem exigir bastante do sinal Wi-Fi (Imagem: Samsung)

Utilizada em múltiplas funções, a internet é acessada por aplicativos de todos os tipos — de jogos, de redes sociais, de vídeos, música, chamadas de voz e de outras funcionalidades. O problema é que alguns exigem mais sinal do que outros, o que pode prejudicar o desempenho geral da rede.

A solução pode vir do recurso QoS (Quality of Service), disponível em alguns roteadores. A função possibilita o gerenciamento do volume de dados de acordo com a necessidade de cada dispositivo conectado à rede. Assim, você pode direcionar uma fatia maior do sinal para uma TV que rode o aplicativo da Netflix, por exemplo, evitando possíveis travamentos durante um filme.

Ao mesmo tempo, você pode parar os aplicativos que não estiverem sendo usados em determinado momento e simplesmente desinstalar aqueles que você nunca usa, mas que eventualmente pode se conectar por conta própria à internet.

Reinicie o roteador

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, os roteadores não precisam ser desligados quando não estão sendo utilizados. Projetados para funcionarem continuamente, eles, inclusive, apresentam consumo de energia quase imperceptível quando estão fora de uso.

Porém, o aquecimento do aparelho e o armazenamento de dados na memória pode criar problemas de desempenho. Portanto, periodicamente, em momentos quando o aparelho não for exigido, você pode reiniciá-lo ou mesmo desliga-lo por um período. O uso da tecla “reset” também ajuda a sanar esses problemas.

A velha e boa gambiarra

Por fim, você pode se valer de recursos que estão disponível na sua cozinha ou naquele depósito de objetos que a gente guarda e que eventualmente acabam sendo úteis. Considerando que o Wi-Fi tem um comportamento como o de um facho de luz, que pode ser refletido por superfícies como espelhos, anteparos de metal brilhante e folhas de alumínio, você pode criar um refletor do sinal e direciona-lo para o ponto onde mais lhe interessa recebe-lo. Confira no vídeo abaixo como você pode fazer isso com latinhas de cerveja.

Contudo, vale dizer que enquanto a região para onde o sinal está sendo direcionado fica melhor atendida, naturalmente, a região oposta acabará prejudicada naquele momento, o que torna essa solução inadequada para determinados casos.