O Papai Noel pode ajudar a criançada a exercitar o pensamento científico

Com tanta informação disponível, hoje em dia, torna-se praticamente impossível manter as ilusões infantis por muito tempo. Porém, mesmo assim, histórias como a do Papai Noel continuam fazendo parte do mundo de fantasia das crianças que, muitas vezes, desafia os pais sobre como devem agir diante dele.

Afinal, a verdade deve ou não ser revelada? Ou, ainda: será que esse tipo de ilusão deve ser permitida ou deve ser suprimida logo cedo?

De qualquer maneira, com ou sem a interferência de um adulto, na medida em que a criança vai crescendo, ela acaba descobrindo o que há por trás dos contos, o que pode acontecer de uma forma mais ou menos brusca, conforme o caso. Entretanto, ao contrário do que alguns acreditam, mesmo havendo um choque de realidade, esse tipo de crença pode até ser vantajoso para o desenvolvimento infantil.

É motivo de desconfiança?

Quem diz isso é a professora Jaqueline Wooley, que leciona no Departamento de Psicologia da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. Em artigo no The Conversation, a professora observa que filósofos e blogueiros têm feito alarde em torno do prejuízo que acreditar no Papai Noel pode provocar. O risco estaria na possibilidade de os pequenos começarem a desconfiar dos pais após descobrem a verdade.

Porém, como pesquisadora da compreensão que as crianças têm sobre a realidade, Woolley refuta essa ideia. “Não há evidências de que a crença e eventual descrença no Papai Noel afetem a confiança nos pais de forma significativa. Além disso, as crianças não apenas têm ferramentas para descobrirem a verdade, como também o envolvimento com a história do Papai Noel pode dar a elas a chance de exercitar as próprias habilidades”, considera.

A professora destaca que, considerando que o mito do Papai Noel é uma criação dos adultos que é transmitida às crianças, para elas seria irracional não acreditar na existência do bom velhinho. Por outro lado, como elas têm capacidades próprias, esse tipo de relato pode funcionar como um estímulo ao desenvolvimento do raciocínio na infância.

Exercício do pensamento científico

Wolley acredita que, quando são confrontadas pela lenda do Papai Noel, as crianças são expostas à oportunidade para desenvolverem critérios de avaliação que são essenciais no pensamento científico.

Tudo começa com a consideração sobre o valor das fontes de informação, que, no caso, são fornecidas pelos adultos e dão consistência à história. “Como indicam as pesquisas em andamento em meu laboratório, a probabilidade de elas acreditarem em um adulto sobre o que é real é maior do que acreditarem em outra criança”, diz a pesquisadora.

Em segundo lugar, Wolley considera que os pequenos são desafiados a avaliarem as evidências deixadas pelo Papai Noel, necessárias para que elas acreditem no bom velhinho. Como, por exemplo, o copo de leite vazio e o biscoito mordido que são encontrados na manhã de Natal. “Outra pesquisa do meu laboratório mostra que os pequenos usam evidências semelhantes para guiar suas crenças sobre a Bruxa dos Doces, um ser fantástico que visita crianças na noite de Halloween e deixa brinquedos em troca de doces”, diz.

Por fim, os pensadores mirins passam a ser confrontados por tudo aquilo que destoa do mundo real que os cerca no cotidiano. Ou seja, eles começam a questionar as incoerências existentes na história — como as das renas que voam, do velhinho rechonchudo que consegue descer por uma chaminé ou que entra em casas onde não existem chaminés. “A pesquisa mostra que, conforme a compreensão das crianças se torna mais sofisticada, elas tendem a ficar mais atentas para os absurdos do mito do Papai Noel”, revela.

Portanto, para Woolley, se você acha que pode ser divertido incluir o bom velhinho no Natal da sua família, não há nenhum problema. “Seus filhos ficarão bem e eles até podem aprender alguma coisa com isso”, conclui a professora.

 


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