Sion tem mais casos, mas Anchieta lidera número de mortes por Covid-19 na área de abrangência da Amoran

De acordo com relatório divulgado pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH) na quarta-feira, 25 de novembro, desde o início da pandemia, 399 pessoas contraíram a Covid-19 nos bairros da área de abrangência da Amoran — Anchieta, Carmo, Comiteco, Cruzeiro e Sion. Do total, 16 morreram, sendo que o Anchieta responde pela metade dos óbitos registrados. Contudo, tendo em vista a taxa de ocupação dos leitos hospitalares da rede particular da capital, que supera a do SUS, é possível que estes números sofram algum incremento considerável nos próximos dias.

Fonte: PBH – Clique aqui para acessar a planilha completa em Excel
Hospitais lotados

Em declaração à imprensa na quarta, 25 de novembro, o secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, destacou que são as classes mais favorecidas — como as que residem na região — que mais estão descumprindo as medidas de isolamento, aumentando a pressão sobre o serviço de saúde privado. “Eles chutaram o pau da barraca e estão indo a festas. Classes A e B são mais acometidas. Estão acontecendo festas clandestinas”, disse o secretário.

Como consequência desta atitude, Jackson Machado ressaltou que a ocupação dos leitos da rede particular mais que dobrou, se tornando muito maior do que a que recai sobre o SUS. Na avaliação do secretários, esta situação pode gerar transtornos no atendimento de outras especialidades e nas cirurgias eletivas. “Sabemos que toda cirurgia é importante e todas podem precisar de usar leitos de UTI. Como temos pressão grande, precisamos suspender. Vai aguardar até termos condição de atender a todos”, avaliou.

Atendimento suspenso

De fato, o excesso de internações em decorrência da Covid-19 ou de casos suspeitos já começa a provocar o fechamento de unidades de atendimento para novos casos. A primeira a interromper o recebimento de pacientes foi a do Hospital Madre Tereza, que, desde quarta, 25, não está recebendo casos relacionados à doença. A suspensão permanece até o dia 30 de novembro.

Na manhã desta quinta-feira, 26, foi possível registrar grande movimentação em duas unidades hospitalares da rede privada da Região Centro-Sul. O Life Center, na Serra, e o Hospital da Unimed do Santa Efigênia apresentavam filas de veículos e grande movimentação de pessoas nas imediações, indicando um fluxo mais intenso de pacientes que pode estar relacionado com a Covid-19.

Entretanto, de acordo com o monitoramento de casos realizado pela PBH, esta situação ainda não atingiu a disponibilidade de leitos do SUS e de leitos suplementares existentes na rede privada.

O Boletim Epidemiólogico 153 da PBH, emitido nesta quinta, 26 de novembro, ainda não reflete a elevação do número de casos (Imagem: PBH)

Clique aqui para acessar o Boletim Epidemiológico nº153/2020, da PBH, emitido nesta quinta, 26 de novembro.

Estimativa de 600 mil infectados

De acordo com o Monitoramento Covid Esgotos, iniciativa conjunta da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estações Sustentáveis de Tratamento de Esgoto (INCT ETEs Sustentáveis – UFMG) em parceria com a Copasa, com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), que faz a medição da concentração do novo coronavírus em amostras de esgoto de Belo Horizonte e Contagem, a estimativa é de que atualmente haja cerca de 600 mil pessoas infectadas nos dois municípios. Este número só não é maior do que os mais de 860 mil casos estimados no auge da pandemia, ocorrido em julho.

Desde então, com algumas variações de crescimento, os dados do monitoramento indicavam  uma redução na concentração do vírus nos esgotos, o que, consequentemente, apontava para um abrandamento da pandemia. Contudo, nas últimas cinco semanas, o quadro de contaminação da rede voltou a apresentar um crescimento consistente.

Fonte: Monitoramento Covid Esgotos

Segundo o Boletim de Acompanhamento nº 23 do projeto, as elevadas estimativas de população infectada observadas nas últimas cinco semanas indicam aumento da circulação do vírus em Belo Horizonte, o que pode ter
relação com a retomada de atividades do setor de serviços e com as aglomerações, em
especial em ambientes fechados, entre outros motivos. O Boletim destaca ainda que a estimativa é corroborada pelo aumento do número de casos notificados acumulados no mesmo período, o que aponta para um potencial novo agravamento da pandemia em Belo Horizonte.

Portanto, resta à população fortalecer as medidas de prevenção e controle para redução da disseminação do vírus no município.