Cidadania

A gestão financeira é indispensável, inclusive para MEI e para microempresas

Seja em um pequeno negócio individual ou e uma empresa familiar, seja em uma grande organização, um dos ingredientes essenciais da receita para o sucesso está na correta gestão financeira do empreendimento. De fato, empresas bem estruturadas adotam essa premissa com a devida seriedade. Porém, ela não é seguida por boa parte dos pequenos empresários.

Não por acaso, a pesquisa de Sobrevivência de Empresas do Sebrae em 2020 revelou que, após cinco anos de abertura, a taxa de encerramento das atividades entre microempreendedores individuais (MEI) foi de 29%, ao passo que, no mesmo período, 21,6% das microempresas e 17% das empresas de pequeno porte não sobreviveram.

Segundo o próprio Sebrae, são vários os motivos que levam ao insucesso dos negócios. Porém, a falta de planejamento, de capacitação e de gestão figuram entre os principais.

Erros básicos

Pelo ponto de vista da gestão financeira, ocorrem cinco erros básicos que contribuem para o fracasso do empreendimento. Confira quais são.

Pró-labore não definido

O pró-labore é a remuneração que o dono do negócio estipula pra ele mesmo. É claro que essa definição deve estar de acordo com a capacidade do empreendimento e é essencial para que o empreendedor não retire do caixa da empresa dinheiro para pagar despesas pessoais.

Nesse aspecto é preciso destacar uma ocorrência que é comum, que diz respeito ao que popularmente é conhecido como empresário rico de empresa pobre. Ou seja, daquele empresário que gasta além do que a empresa é capaz de remunerá-lo.

Portanto, o pró-labore deve ser pensado de acordo com a realidade e precisa seguido de forma rigorosa. Como ocorre com os salários de funcionários, mesmo que em determinado mês o negócio apresente uma lucratividade maior, ele deve ser o mesmo dos meses anteriores,  permitindo que a renda extra seja reservada para eventualidades ou para  investimentos que melhorem o desempenho empresarial.

Contas físicas e jurídicas no mesmo balaio

Sem a definição de um pró-labore, muitos empresários também comentem o erro de manter uma única conta corrente, que que recebe depósitos e paga as despesas tanto pessoais quanto empresariais. É fundamental separar as duas contas.

Não manter um controle rigoroso de caixa

A eficácia da gestão financeira está atrelada ao registro criterioso de todas as entradas e saídas de recursos, considerando, inclusive, os menores valores. Ou seja, até mesmo as pequenas despesas, como as realizadas com a compra de papel para a impressora, por exemplo, precisam ser registradas.

Agindo com rigor é possível controlar o orçamento de forma eficiente e saber exatamente o que existe de recurso disponível.

Viver sem uma reserva

As reservas financeiras devem existir para que o empresário não seja pego de surpresa por gastos inesperados, que podem abalar o fluxo de caixa. Eventualidades sempre podem surgir e podem abalar a estrutura do negócio.

A reserva também pode ser utilizada em oportunidades seguras de investimento que garantam o crescimento do negócio.

Não definir metas de faturamento

A falta de uma definição sobre o faturamento que se deseja para o negócio é um erro também bastante comum. Sem essa estratégia o empresário navega à deriva, sem saber onde deseja chegar.

Sem a definição de metas de faturamento não é possível estabelecer um plano para chegar a elas. Portanto, é necessário definir objetivos de curto, de médio e de longo prazos.

Como é feita a gestão financeira da pequena empresa

Em linhas gerais, há cinco necessidades que precisam ser atendidas em uma gestão financeira eficiente.

Controlar o fluxo de caixa

Sem esse controle a gestão financeira simplesmente não existe. O controle de fluxo de caixa é realizado a partir do registro das entradas e das saídas de dinheiro, o que permite compreender com clareza a saúde do negócio.

Definir custos fixos e custos variáveis

Os custos fixos são aqueles que se repetem todos os meses e, entre outras, ocorrem o com pagamento de despesas com telefonia e internet, energia, funcionários e aluguel, por exemplo. Os custos variáveis surgem de acordo com a demanda do negócio, e acontecem, por exemplo, na aquisição de matéria-prima e de insumos.

É fundamental defini-los de maneira bastante clara.

Fazer a conciliação bancária

A conciliação bancária nada mais é do que o cruzamento do livro caixa da empresa com o extrato bancário. Por meio dela é possível verificar a consistência dos dados.

Fazer o acompanhamento mensal

É necessário acompanhar todos os indicativos de desempenho do negócio, que podem ser obtidos pela demonstração de resultados, balanço patrimonial e por relatórios de faturamento e de lucratividade.

Apoiar na capacitação

Com a agilidade crescente de todos os mercados e com a competitividade cada vez mais acirrada o empresário deve se manter capacitado em todos os níveis, inclusive no financeiro. Assim, é possível compreender as mais variadas tendências e as próprias necessidades.

De fato, ninguém precisa buscar um curso universitário para obter a capacitação básica. O conhecimento essencial pode ser obtido em cursos rápidos, que ajudam a colocar em prática as recomendações desse post.