Como o consumidor pode contribuir para resolver questões ambientais?

No último mês de novembro, líderes do mundo todo se reuniram em Glasgow, na Escócia, para debaterem os temas na COP-26 os temas das mudanças climáticas, buscando assim encontrar saídas para solucionar as consequências de uma série de fenômenos que estão transformando o clima do mundo de maneira drástica, colocando em risco o equilíbrio do planeta e a própria humanidade. De fato, das decisões de governos e de grandes corporações depende uma parte significativa das medidas necessárias para frear as tragédias que se anunciam.

Porém, uma responsabilidade enorme também recai sobre a sociedade. Ou seja, sobre cada um de nós.

Devemos ter sempre em mente que, no final das contas, são as pessoas que consomem os produtos e os serviços que, de um jeito ou de outro, afetam o meio ambiente. Portanto, definir parâmetros de consumo racionais se torna indispensável para que as soluções possam ser alcançadas.

Nesse sentido, então, é preciso entender a diferença básica que há entre o consumo, que é indispensável ao bem-estar das pessoas, e o consumismo, que representa tudo o que excede de forma exagerada às reais necessidades.

O consumo que atende a todas as necessidades

Quando falamos do consumo necessário, daquilo que é indispensável à vida, pensamos logo naqueles itens básicos da alimentação, da moradia e dos serviços de água e energia. Porém, é claro, devemos também incluir nesse rol os serviços de saúde e educação, o vestuário e, também o lazer e a cultura.

Afinal, também estamos no mundo para usufruir dos prazeres e alegrias que ele tem a nos oferecer, o que deve ser visto como algo básico para que haja uma boa qualidade de vida. Vale considerar que existimos para viver e não somente para sobreviver.

Por outro lado, é importante também compreender que a forma como consumimos revela muito da nossa própria identidade e da personalidade que expressamos. Nesse ponto, é interessante observar que o consumo inteligente e responsável nada tem a ver com avareza. Em vez disso, denota equilíbrio e consciência na maneira como a pessoa interage como o mundo.

O consumo que desequilibra

Uma vez que o consumismo representa uma forma de consumir exagerada, que ultrapassa às necessidades de conforto e de satisfação das necessidades e até das vontades, há nele o desequilíbrio da relação da pessoa consumista com o mundo. Não é por acaso que, inevitavelmente, os conceitos de desperdício, inutilidade, superfluidade e futilidade acabam sendo associados ao consumismo.

Porém, algumas práticas de consumo que possam ser vistas como consumistas por uns, para outros, por motivos variados, podem ser necessárias. Por exemplo, algumas pessoas podem entender o uso de joias como algo supérfluo, enquanto, para outras, elas têm significados especiais, seja pelo ponto de vista psicológico, como os proporcionados por significados afetivos, seja pelo patrimonial.

Portanto, a percepção do consumismo é algo que precisa ser, antes de tudo, avaliado pele própria pessoa que consome, uma vez que o que pode parecer supérfluo para uns pode representar algo indispensável para outros.

Por outro lado, em qualquer situação, é preciso prestar atenção no exagero na forma de consumir e nos resultados que esse hábito pode causar. Há pessoas, por exemplo, que compram roupas compulsivamente e acabam nunca usando ou usando pouquíssimas vezes as peças adquiridas. Ora, a fabricação de vestuário, em suas várias etapas, causa impactos relevantes sobre o meio ambiente, o que exige racionalidade na compra e no uso.

Consumo consciente

Consumir conscientemente significa que o consumidor deve buscar o máximo de informações sobre os impactos ambientais que os próprios hábitos de consumo ocasionam, inclusive sobre “ciclo de vida” dos produtos. Esse conceito diz respeito a tudo o que se relaciona com aquele produto desde a produção, passando pelo período em que ele é utilizado, até o momento em que ele é descartado como resíduo.

O consumidor consciente considera também o ciclo de vida das embalagens, levando em conta o material utilizado na produção e as dimensões que elas têm. Hoje em dia, é comum encontrarmos itens com dimensões mínimas que são acondicionados em embalagens enormes que não têm qualquer utilidade prática, só representando valor para o marketing do que está sendo consumido. Em contrapartida, existem também produtos que permitem o reaproveitamento de embalagens — como aqueles que utilizam refis de recarga —, que são mais sustentáveis e merecem ser vistos com maior simpatia.

Cabe ao consumidor consciente avaliar criteriosamente os impactos causados ao meio ambiente por tudo aquilo que consome e pela forma como consome. É a  partir dessa avaliação que poderemos corrigir nosso hábitos de consumo, tornando-os mais adequados às imposições do momento grave que estamos vivendo.

 

 


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