Os benefícios das plantas medicinais existem, mas, como todo medicamento, elas pedem atenção

Quem nunca ouviu uma dica do tipo “o boldo é bom para o fígado”, “cravo-da-índia é anti-inflamatório” e “gengibre fortalece o sistema imunológico”? De fato, além destas, há um número imenso de outras plantas que apresentam propriedades medicinais curativas e preventivas de doenças que merecem ser consideradas por vários motivos. Além de serem naturais e de poderem ser cultivadas em uma horta em casa mesmo, o que diminui bastante o custo dos tratamentos, em muitos casos, o uso de vegetais como medicamento encontra respaldo científico que atesta a sua eficácia.

Entretanto, é importante conhecer as verdadeiras qualidades que as plantas apresentam, inclusive aquelas que podem causar alguma reação adversa no organismo.

A ciência e a sabedoria popular

Os remédios sintéticos como os conhecemos agora são invenções relativamente recentes. De fato, como relata artigo publicado pelas farmacêuticas Daniela Melo, Eliane Ribeiro e Sílvia Storpirtis , até o início do século 19, a maior parte dos medicamentos tinha origem natural e apresentava estruturas químicas que então eram desconhecidas. Também naquela época os fármacos sintéticos começaram a surgir, mas foi só nos anos 1940 que eles passaram a ser utilizados em larga escala. Como consequência, houve um avanço enorme no tratamento das enfermidades, principalmente no campo das doenças infecciosas.

Entretanto, isso não significa que todo o conhecimento sobre o uso medicinal das plantas acumulado ao longo de milênios tenha perdido a validade. Ao contrário, a partir do desenvolvimento da ciência, muito dos efeitos curativos que os vegetais oferecem e que, até então, só eram percebidos empiricamente passou a ser respaldado também pelas pesquisas realizadas nos laboratórios.

Assim, o uso direto das plantas e a fitoterapia, que é o tratamento de doenças feito com o uso das substâncias contidas em vegetais, deixou de pertencer apenas ao domínio popular e passou a ocupar espaço no meio científico. Mais do que isso, se transformou em uma indústria poderosa, que não chega a rivalizar com a farmacêutica sintética, mas que tem significado importante, tanto para a economia quanto para a medicina.

O grande negócio da cura

A onda dos remédios fitoterápicos e o uso medicinal das plantas tomou impulso ao longo dos anos 1990, quando expandiu 400% em todo o mundo. O crescimento do mercado se manteve nas décadas seguintes, inclusive aqui no Brasil, onde cresceu 161% em apenas dois anos — entre 2013 e 2015 — e movimenta anualmente cerca de R$ 1,2 bilhão.

Isso significa que estamos tratando de um grande negócio. Porém, observando o que diz a editora Sara Abdullah, do jornal científico Nature, também há fundamentos medicinais para esse sucesso.

Segundo Sara, é fato que existem plantas e fitoterápicos que apresentam resultados curativos excelentes, o que justifica a procura e a prescrição médica. “A erva-de-são-joão (Hypericum perforatum), para a qual o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos financiou estudo controlado, é, em algumas pessoas, um tratamento tão eficaz para a depressão e para o transtorno afetivo sazonal quanto muitos antidepressivos sintéticos. Há boas evidências de que os extratos da árvore ginkgo (Ginkgo biloba) aumentam a memória de curto prazo em pacientes idosos. Outra planta, saw palmetto (Serenoa repens), parece ter um efeito de encolhimento nas glândulas aumentadas da próstata”, diz Sara.

É natural, mas é remédio

Porém, além das qualidades curativas, também é preciso observar o risco que os vegetais e os fitoterápicos oferecem, principalmente no que diz respeito ao uso indiscriminado. Como podem ser conseguidos com maior facilidade do que os remédios sintéticos — e às vezes até de graça, quando são colhidos no canteirinho de casa  —, é comum que as plantas sejam utilizadas sem qualquer atenção médica, o que pode gerar resultados adversos.

Um artigo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) alerta para o fato de, além do princípio ativo terapêutico, que pode não ser adequado para determinados pacientes, uma planta também pode conter substâncias tóxicas, substâncias alergênicas e contaminação por agrotóxicos ou por metais pesados. Ainda, interagir com outras medicações, causando danos à saúde. Além disso, vale lembrar que, como qualquer remédio, os fitoterápicos e os vegetais medicinais também precisam ser consumidos na dosagem certa, se tornando tóxicos quando utilizados em excesso.

Portanto, optar por um fitoterápico ou mesmo colher na hortinha de casa aquela plantinha que conhecida pelos benefícios que oferece, sem dúvida, pode trazer ótimos benefícios para a saúde. Porém, antes de consumir esse tipo de medicamento, além de conhecer as propriedades que ele apresenta, é importante conversar com o médico sobre os efeitos positivos e negativos que pode causar, o que será analisado de acordo com perfil do paciente.

Uma dica

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