90 Elmos que evitam a intubação de pacientes Covid serão doados a BH e Nova Lima pela CDL

Não há dúvidas de que a maior crise já vivida na história do Brasil precisa ser enfrentada por toda a sociedade, de forma unida. Tanto no âmbito do poder público federal e dos estados e municípios quanto da sociedade civil, não podem ser poupados esforços e deve existir a máxima racionalidade no enfrentamento da pandemia.

Nesse escopo, naturalmente, inserem-se as organizações privadas, que também têm cumprindo o papel que cabe a elas nesse processo e que precisam ser reconhecidas.

Kits intubação

Haja vista a importação de 2,3 milhões de kits para intubação de pacientes de Covid-19 realizada por um grupo de empresas — formado pela Vale, Engie, Itaú Unibanco, Klabin, Petrobras, Raízen e TAG — e que chegaram ao Brasil na noite desta quinta-feira (15). Constituídos por sedativos, neurobloqueadores musculares e analgésicos opioides, os insumos serão doados ao Ministério da Saúde para distribuição às unidades de saúde de todo o país.

De acordo com a Agência Brasil, outros 1,1 milhão de kits devem chegar até o final do mês. A Agência informa ainda que todo o material será suficiente para atender a 500 leitos pelo período de um mês e meio.

Elmos da CDL
O equipamento mantém pressão positiva sobre o paciente, facilitando a respiração. O uso do Elmo tem evitado em 60% da necessidade de intubação (Foto: Divulgação/Governo do Estado do Ceará)

Outra ação do setor privado que merece divulgação veio da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), que, na próxima segunda-feira, 19, doará para hospitais públicos e filantrópicos da capital e de Nova Lima 90 capacetes que são utilizados no tratamento de pessoas com Covid-19. Denominado Elmo, o equipamento dá suporte ventilatório não invasivo, podendo evitar a intubação.

Criado por pesquisadores do Ceará, o dispositivo foi utilizado com sucesso na crise de abastecimento de oxigênio ocorrida em Manaus em janeiro, diminuindo em 60% a necessidade de intubação. Mantendo pressão positiva nas vias aéreas, o capacete oferece fluxo de oxigênio e de ar medicinal, reduzindo, assim, o esforço respiratório do paciente. Por ser vedado, o equipamento ainda impede que o vírus se espalhe pelo ambiente, oferendo como vantagem adicional maior segurança aos profissionais da saúde.

A CDL/BH informa que, além das prefeituras de Belo Horizonte de Nova Lima, a doação contemplará a Santa Casa de BH  e os hospitais Mário Penna, São Lucas, Evangélico, Baleia e São Francisco.

Tecnologia cearense

A solução do Elmo veio de uma reunião realizada em abril de 2020 na Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), na qual debatia-se a escassez de ventiladores nos hospitais do Ceará. Diante da impossibilidade de produzir esses equipamentos localmente e com o aumento da demanda, o superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), Marcelo Alcântara, lembrou da experiência de médicos italianos, que utilizaram máscaras de mergulho em pacientes Covid, e conectou a ideia aos “helmets” (elmos, em inglês), equipamentos que são utilizados no tratamento de pessoas que sofrem com descompressão acelerada, concebendo o que poderia ser uma alternativa aos ventiladores.

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A partir daí, unindo várias instituições públicas e privadas cearenses — que incluíram a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará  (Sesa), ESP/CE e Funcap, Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), por meio do Senai/Ceará, Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de Fortaleza (Unifor), Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH) e Esmaltec — o equipamento pode ser desenvolvido com a urgência necessária. De acordo com os desenvolvedores, um processo que levaria dois anos para ser desenvolvido na velocidade normal da indústria foi percorrido em apenas três meses. Outros cinco meses foram gastos em testes, inclusive clínicos, tornado possível a utilização prática do equipamento já em janeiro.

Assim, vidas passaram a ser salvas, dando uma clara demonstração de que, unindo políticas públicas racionais e coordenadas com a capacidade inventiva do brasileiro, com as ações positivas do setor privado e com reponsabilidade da população, certamente, o fim da pandemia se tornará mais próximo no Brasil.

 


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