Projeto Quatis completa 15 anos de monitoramento de um bicho que é essencial para o equilíbrio ecológico

A presença de animais da fauna silvestre nas cidades é uma consequência visível da expansão urbana. Com as áreas naturais reduzidas, o que gera considerável dificuldade para a obtenção de alimentos, muitas espécies acabam recorrendo ao meio urbano para sobreviverem, o que as leva ao convívio com os humanos.

Se por um lado esses hábitos geram simpatia e admiração em algumas pessoas, por outro, também podem levar à apreensão, resultando em reações de medo e até de agressão contra os bichos. Pior ainda, a interferência humana pode causar mudanças de comportamento, com consequências negativas sobre o meio ambiente.

Projeto Quatis

Esta é uma condição que afeta, por exemplo, os quatis, que são bastante comuns nos parques das Mangabeiras e da Serra do Curral e em suas imediações. Quem já andou por ali, provavelmente, teve um encontro com algum daqueles simpáticos narigudos — aliás, akwa’tim em tupi significa nada mais do que nariz pontudo. Geralmente reunidos em bandos, que  incluem os inquietos filhotes, eles não se fazem de rogado para fuçar lixeiras ou se aproximarem de humanos com a intenção de conseguir alguma comida.

Pois foi para entender melhor esses animais e a relação que eles estabelecem com humanos e também com a finalidade de monitorar as populações, que, há 15 anos, surgiu o Projeto Quatis, que aniversariou nessa terça-feira, 8 de fevereiro. O trabalho multidisciplinar é desenvolvido graças à parceria entre a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem a coordenação do veterinário e professor de clínica e cirurgia de animais silvestres na UFMG Marcelo Pires e da bióloga da FPMZB Nadja Simbera Hemetrio, que dirigem a equipe composta por biólogos, veterinários e estudantes dos cursos de Ciências Biológicas e de Medicina Veterinária.

Desde que foi criado, o Projeto vem realizando pesquisas sobre o comportamento dos animais na região do Parque das Mangabeiras e tem observado aspectos que envolvem a dieta, a área de vida, morfologia e a diversidade genética da população. Em outra frente, os pesquisadores buscam compreender como as pessoas se relacionam com aqueles animais.

Recentemente, cinco quatis receberam colares equipados com GPS, possibilitando aos pesquisadores saberem os locais frequentados por eles. A partir das informações obtidas, a equipe de pesquisa consegue direcionar de forma mais apropriada as ações de manejo da espécie.

Como resultados dos estudos no Parque das Mangabeiras já surgiram nove artigos científicos, duas teses de doutorado, sete dissertações de mestrado, duas monografias e inúmeros trabalhos que foram apresentados em eventos nacionais e internacionais.

Os quatis

Pertencentes à família dos guaxinins, os quatis são mamíferos carnívoros porte médio que integram a fauna nativa brasileira, vivendo em florestas nas condições normais. Os bandos são formados por fêmeas adultas, um macho adulto e pela prole de ambos os sexos.

Ainda que sejam classificados biologicamente como carnívoros, esses animais são onívoros, ou seja, comem praticamente de tudo e têm alimentação baseada principalmente em frutas e em invertebrados. Por isso, eles desempenham importante papel na manutenção da saúde do ambiente onde vivem. Por um lado, atuam como jardineiros das florestas, espalhando as sementes dos frutos que ingerem, contribuindo com o processo de regeneração das áreas verdes. Por outro, ajudam a controlar as populações das espécies que constituem suas presas, mantendo o equilíbrio ecológico do lugar.

Não alimente os quatis

Acostumadas com os animais domésticos, para muitas pessoas é difícil resistir aos apelos dos quatis para serem alimentados. Porém, o que pode aparentar ser uma boa ação, pode causar alguns problemas ambientais.

Afinal, quando se alimentam com a comida ofertada pelo ser humano, os quatis ficam saciados e não desempenham aqueles serviços de dispersão de sementes e de controle de presas. Por isso, é importante tomar alguns cuidados, para evitar que isso aconteça.

  • Se você mora em uma área de ocorrência dos quatis, mantenha os alimentos em armários fechados e devidamente protegidos de algum espertalhão. Também mantenha as lixeiras tampadas, evitando que eles revirem o lixo em busca de comida.
  • Disponha o lixo para a coleta somente nos horários definidos pela PBH.
  • Não deixe a ração dos seus animais de estimação exposta por muito tempo, pois os quatis podem se sentir atraídos por ela.
  • Mantenha a atenção para os lanches quando estiver em visita aos parques, acondicionando-os em vasilhas fechadas.
  • Evite utilizar sacolas para acondicionar alimentos ou lixo. Aliás, o ideal é que você procure levar o seu lixo para descartar em casa.
  • Jamais alimente os quatis ou qualquer outro animal silvestre. Isso pode ser prejudicial à saúde deles e também à sua. Afinal, quem se arrisca desta forma não está livre de uma mordida ou de um arranhão causado por um bicho assustado.

 


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