De alternativa, EAD está se transformando na principal modalidade de ensino

Como era de se esperar, a modalidade de ensino a distância (EAD) obteve um crescimento expressivo durante o primeiro ano da pandemia. De acordo com o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2022, a educação de nível universitário por EAD experimentou uma expansão de 7,7% entre 2019 e 2020, saltando de 19,1% para 26,8% das matrículas realizadas no período.

O levantamento indica ainda que, pela primeira vez na história, da coleta de dados do Censo do Ensino Superior, o número total de novos alunos da EAD — que chegou a 2 milhões — ultrapassou o presencial — 1,75 milhão. Na modalidade presencial, os novos matriculados tiveram queda de 13,9%, contra um aumento de 26,2% na EAD.

De acordo com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), o cenário de digitalização do ensino deve continuar se expandido. A instituição destaca que houve um aumento de 59% na procura por EAD no período compreendido entre 2020 e 2021. A perspectiva é de que já em 2023 a modalidade a distância supere a tradicional educação presencial.

Crescimento global

Esta tendência não se projeta apenas para a educação superior. Considerando as múltiplas possibilidades que a EAD oferece nos mais variados campos do conhecimento humano, as empresas que criam soluções tecnológicas para a área da educação — denominadas edtechs — acompanharam a maior demanda no setor, avançando 26% desde 2020, . O dado é de estudo realizado pelo Centro de Inovação para Educação Brasileira (Cieb) em parceria com a Associação Brasileira de Startups (Abstartup), sobre levantamento realizado entre 2019 e 2021. A pesquisa revela que atualmente há cerca de 566 edtechs ativas no Brasil.

Vale destacar que o avanço da EAD não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. No mundo, de acordo com projeções da HolonIQ, a perspectiva é de o mercado alcançar US$ 433 bilhões de faturamento até 2030, com estimativa de que as 5 milhões de matrículas atuais no segmento a distância passem para 8 milhões nos próximos oito anos.

Sofisticação

Ainda que tenha se expandido de maneira intensiva com o avanço da tecnologia digital, a EAD não é uma novidade. De fato, remonta 300 anos de uma história iniciada com os cursos por correspondência.

O primeiro registro de um curso de EAD vem de 1728, quando o professor de taquigrafia Cauleb Phillips resolveu ensinar as técnicas de escrita codificada por correspondência. Morando em Boston, ele mandou publicar no jornal o seguinte anúncio: “Qualquer pessoa que queira estudar taquigrafia pode ter várias lições enviadas à sua casa semanalmente e será tão bem instruída quanto uma pessoa que mora em Boston”.

Os cursos por correspondência se tornaram bastante populares no mundo todo e contribuíram de maneira significativa com a formação profissional de pessoas que dedicavam as horas de folga aos estudos em casa. A partir das inovações tecnológicas de vídeo e de informática, os cursos a distância foram também se sofisticando, mas ainda com um custo significativo. Afinal, os aulas incluíam fitas VHS, mais tarde substituídas por CDs e DVDs, que exigiam um investimento razoável do aluno.

Hoje, a conexão com internet permite que todo esse material seja substituído por aulas online, que não só facilitam o aprendizado, como também reduzem bastante os valores que são pagos por ele. Portanto, aliados à comodidade e à praticidade que o EAD oferece, esse conjunto de recursos está transformando na principal forma educação contemporânea uma modalidade de ensino que era vista como alternativa.