Home office não deve ser desculpa para abrir mão da ergonomia no trabalho

Se por um lado o home office trouxe maior praticidade para o exercício de uma série de atividades profissionais, por outro, também criou oportunidade para improvisos. Com isso, a utilização de mobiliário inadequado e a permanência em ambientes que não estão preparados para o exercício das tarefas de trabalho não só pode acarretar mal-estar e levar à queda de produtividade, como também tem potencial para colocar em risco a saúde de quem atua em um escritório em casa.

Situações assim devem ser evitadas a partir da adoção das práticas da ergonomia. Em linhas gerais, entre outros pontos, tais práticas observam as condições corretas de postura do trabalhador e de exercício das funções — considerando móveis, materiais e acessórios — e também a qualidade do ambiente de trabalho — tendo em vista a iluminação, temperatura, ventilação e nível de ruído no local.

Norma

No Brasil, os aspectos da ergonomia no trabalho estão previstos na Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), do Ministério do Trabalho e Previdência, que oferece parâmetros que podem ser seguidos também por quem está trabalhando em home office e não quer causar prejuízos à própria saúde. Pelo ponto de vista físico, as análises ergonômicas observam questões relacionadas à postura, aos movimentos corporais e à interação do trabalhador com o ambiente e com os equipamentos que utiliza nas atividades ou que o rodeiam durante elas.

O objetivo é de promover a perfeita integração entre as exigências das tarefas com aquilo que o trabalhador pode exercer dentro de suas limitações, buscando, assim, as melhores condições de trabalho, visando o bem-estar de quem trabalha e também a maior eficiência produtiva. Ao analisar tais fatores no ambiente de trabalho podem ser detectadas necessidades de intervenções que corrijam eventuais problemas detectados.

Em uma empresa, em geral, técnicos especializados realizam a chamada Análise Ergonômica do Trabalho (AET), que permite compreender as necessidades do trabalhador, em sintonia com as necessidades empresariais. Desta forma, é possível identificar e tratar os riscos ergonômicos, buscando minimizá-los, ou, tanto quanto for possível, até mesmo extingui-los.

Em casa

Entretanto, para quem está trabalhando em casa, em grande parte das vezes, não é possível realizar uma AET rigorosa, que permita diagnosticar com precisão técnica os aspectos de risco existentes no ambiente em que a pessoa atua ou que sejam proporcionados pelos equipamentos que ela utiliza. Portanto, neste caso, cabe á própria pessoa observar as condições de trabalho e os efeitos que elas provocam sobre o organismo para, em seguida, buscar por informações que possam levar às soluções desejáveis.

Sendo assim, quem atua em home office, deve ficar atento para o mobiliário que utiliza, que deve ser confortável e adequado para as funções. Improvisar cadeiras e mesas ou trabalhar “confortavelmente” no sofá, por exemplo, afeta a postura e pode causar danos severos às articulações e a coluna. O ideal é adquirir móveis apropriados, que sejam compatíveis com o tempo e com as condições de utilização.

Aspectos relacionados à iluminação, à temperatura, à circulação de ar e a exposição a ruídos excessivos também devem ser considerados. Qualquer fonte de desconforto pode significar um estresse desnecessário durante o trabalho, que não só pode afetar a produtividade, como também, possivelmente, afetará negativamente a saúde do trabalhador.

Investir na ergonomia representa o investimento em maior segurança, mais saúde e mais qualidade de vida para o trabalhador, o que interfere de forma positiva na produtividade e na qualidade dos resultados obtidos. Abrir mão desses cuidados no trabalho em casa, definitivamente, é uma péssima ideia.